História e Património das "Terras de Algodres"
(concelho de Fornos de Algodres)
ed. Nuno Soares
Contacto: algodrense(at)sapo.pt
Terça-feira, 14 de Agosto de 2007
Documentos para a história de Algodres (10)

 

 

Alvará de D. João III

de 20 de Julho de 1548

 

(transcrito por Pedro Pinto – CEH-UNL)

 

 

 

 

 

O Dr. Pedro Pinto enviou-nos a seguinte transcrição de um documento existente na Torre do Tombo, Chancelaria de D. João III, Privilégios, Livro 2, fol. 199:

 

 

 

 

 

Eu El Rey ffaço saber a vos Corregedor da comarca da Çidade da guarda que os Juizes vereadores e pprocurador do comçelho d algodres me enuJarão dizer per sua Carta que el Rey meu senhor e padre que samta gloria aJa enuJara ao dicto Comçelho huma pilha de metal que toda Jumta e syada pesaua huma aRoba por ter por emformação que no dicto Comçelho nam avya neçesydade de mais pesos a qual pylha eles tynhão pola camara dele com todos os pesos meudos demtro nela que lhe erão neçesarios e que os Remdeiros da chançelarya da dicta comarqua e pesoas outras que penas demamdão lhes mouJão demamdas dizemdo que por o dicto Comçelho pasar de dozemtos vezinhos erão obrigados a ter pesos de duas aRobas comforme a minha ordenação em tall caso feyta e que porquamto o dicto Comçelho nam era luguar de trato e a dicta pilha de huma aRoba que asy tynhão abastaua e nam tynhão neçesydade de mais Me pedião ouuese por bem que não fosem costramgydos a terem mais pesos E vysto seu Requyrimemto ey por bem e me praz que os dictos Juizes e vereadores procurador do dicto comçelho nam seião costramgidos nem obrjgados a terem na camara dele mais pesos que a dicta pylha de huma aRoba de metal demtro na quall estarão todos os pesos a ela neçesarias sem embarguo do dicto Comçelho pasar de dozemtos vezinhos e de minha ordenação em comtrayro e esto emquamto o eu ouuer asy por bem e nam mamdar o Comtrayro Notefico uo lo asy e vos mamdo e aos Corregedores que polo tempo em diamte a dicta comarqua fforem que nam costramgaes os dictos Juizes e ofiçiaes do dicto Comçelho a terem mais pesos que a dicta pilha de huma aRoba e em todo compraes este aluara como se em ele comtem emquamto Eu nam mamdar o Comtrayro como dicto he o qual quero que valha como Carta feyta em meu nome per mjm asynada e pasada pola chamcelarya sem embarguo da ordenação que diz que as cousas CuJo efeyto ouuer de durar mais de hum anno pasem per cartas

 

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publicado por algodrense às 20:07
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007
Algodres - História e Património (1)

  

 

 

 

- uma síntese para o visitante -

 

 

 

(em actualização)[i]

 

  

 

Pelourinho.jpg

 

(Pelourinho de Algodres  -  Agosto de 2001)

 

 

 

As “Terras de Algodres” (concelho de Fornos de Algodres) são conhecidas pelo seu rico património arqueológico, arquitectónico e artístico, que será seguramente um dos motores do desenvolvimento sustentável deste concelho do interior beirão.  A exposição permanente do CIHAFA e um roteiro arqueológico implantado no terreno, permitem ao visitante conhecer a evolução do povoamento da região, desde o Neolítico até à actualidade, passando por sítios tão emblemáticos como as antas da Matança e de Cortiçô, o “Castro de Santiago”, a “Fraga da Pena”, o “Castelo de Queiriz”, as necrópoles medievais das Forcadas e de Vila Ruiva e muitos outros que estão devidamente referenciados e assinalados[ii].

 

 

 

 

 

No centro do concelho, numa localização privilegiada, com ampla vista sobre o vale do Mondego e os contrafortes da Serra da Estrela, encontra-se a aldeia de Algodres, que desde tempos imemoriais dá o nome a toda a região.

 

 

 

 

 

Algodres continua incompreensivelmente a aguardar que lhe seja reconhecido o merecido estatuto de “aldeia histórica”, que seria de capital importância para o desenvolvimento local e para a preservação da identidade e do património cultural multissecular que conserva.

 

 

 

Dos aspectos mais relevantes da sua história e património, apresentamos seguidamente uma breve síntese, destinada ao visitante interessado e à crítica dos que a queiram corrigir ou melhorar, desde logo por correspondência enviada a este blog.

 

  

 

VistaGeral1JPG.jpg

 

(Vista geral de Algodres  -  Agosto de 2001)

 

 

 

O topónimo Algodres, hoje de obscuro sentido, certifica a antiguidade do povoamento.  Segundo a interpretação mais plausível, de José Pedro Machado[iii], terá origem árabe, derivando de “al godor”, plural de “gadir”, palavra que significa lagoa ou ribeiro. E cursos de água não faltam no planalto de Algodres, chamando-se ainda hoje “Alagoas” uma das bolsas de terras mais férteis e irrigadas da freguesia.

 

 

 

 

 

A primeira ocupação do território da actual freguesia remontará ao Neolítico inicial. Na “Quinta da Assentada”, situada a meio da vertente da “Barroca”, junto do limite das freguesias de Algodres e Infias, foi recentemente escavado um sítio de habitat aberto, desse período, que revelou ainda uma ocupação posterior, enquadrável num momento final do Calcolítico (e vestígios de uma eventual revisitação na Idade do Bronze).  Também na “Quinta do Inferno”, situada cerca de 250 metros acima, foram recolhidos, à superfície, materiais arqueológicos pré-históricos[iv].

 

 

 

No núcleo histórico da aldeia, os vestígios mais antigos encontrados datam da época romana.  Alguns achados estão expostos no CIHAFA, com destaque para uma ara anepígrafa[v]. Em escavações realizadas na Praça de Algodres e ruas adjacentes, dirigidas pela arqueóloga Alexandra Soares (Maio de 2000 – Janeiro de 2001), foram encontrados diversos materiais atribuíveis a essa época, designadamente restos de estruturas, tegullae, sigillatas hispânicas tardias, cerâmica comum e diversas moedas do século IV[vi]As escavações foram retomadas em 2006 e 2007, sob direcção da arqueóloga Marina Pinto. Embora ainda não tenham sido publicados os respectivos resultados, foi divulgada uma informação referindo o achado de uma moeda do século IV e dando conta de que “...contextos arqueológicos do período alto imperial (séculos IV-V) se encontram preservados sob a necrópole medieval”. No lugar do Furtado, na capela de S. Clemente, existe ainda uma ara votiva, do séc. III ou posterior, dedicada a uma divindade indígena[vii].

 

 

 

 

 

Para os períodos imediatamente posteriores, a informação disponível é quase nula.  O topónimo Algodres, parece indiciar que a povoação existiria durante o domínio muçulmano e que essa ocupação teve continuidade.  Mas só se conhecem novos vestígios materiais de povoamento a partir da época da Reconquista.

 

 

 

Nas escavações de 2000 - 2001, foi intervencionada uma extensa necrópole, com um primeiro momento de utilização provisoriamente enquadrado pela responsável entre os séculos X – XIII[viii]. Julgamos que os sarcófagos não antropomórficos encontrados junto à Igreja Matriz (um dos quais se encontra reutilizado nas fundações da parede Sul do templo), a não serem mais antigos, serão também enquadráveis neste período (séculos IX – XI ?).  Uma informação disponibilizada sobre as escavações realizadas em 2006 - 2007, também referia que os trabalhos “... estão a pôr a descoberto o que resta de um cemitério local de cronologias que se estenderão provavelmente desde a Alta Idade Média até ao século XIV.  Até ao momento foram escavados 27 ossários e cerca de 92 esqueletos retirados de sepulturas escavadas no substrato rochoso”.

 

  

 

 

 

 

Igreja Matriz.jpg

 

(Igreja Matriz de Algodres  -  postal s/d  -  ed. Paróquia de Algodres)

 

 

 

Desde o século XII, Algodres aparece como vila e cabeça de um vasto concelho, que englobava no seu termo as actuais freguesias de Algodres, Casal Vasco, Ramirão, Cortiçô, Vila Chã, Muxagata, Maceira, Sobral Pichorro e Fuínhas.  Exercia também, em alguns domínios, supremacia administrativa sobre os vizinhos concelhos de Fornos, Infias, Matança e  Figueiró da Granja[ix].

 

 

 

As Inquirições de D. Afonso III (de 1258)[x] documentam que a “terra” de Algodres recebeu de “Donnus S. Menendi” uma carta de povoação, em data que não se indica, mas que será anterior a 1169. Nesse ano, o primeiro foral de Linhares, dado por D. Afonso Henriques, já delimitava o termo daquele concelho, por reporte ao de Algodres, da seguinte forma: “os vossos termos são estes: (...) e da terceira parte, como parte pelo Mondego com Algodres”[xi]. 

 

 

 

No reinado de D. Sancho I, a importância regional do concelho de Algodres é realçada  pelas crónicas que relatam a participação dos seus homens de armas, juntamente com os de Celorico, Linhares, Trancoso e Guarda, numa batalha travada com as tropas de Afonso IX, rei de Leão, que tinham invadido a Beira[xii].

 

 

 

Ainda segundo as  Inquirições de 1258, D. Sancho II alterou os foros fixados na primitiva carta de D. Soeiro Mendes, convertendo-os em prestações monetárias.

 

 

 

Posteriormente, D. Dinis (em 1311) e D. Manuel I (em 1514) deram novos forais ao concelho[xiii].

 

 

  

 

Na crise do final do século XIV, esteve em risco a autonomia municipal de vários concelhos da região, incluindo o de Algodres.  Embora tenha chegado a ser integrado, por curtos períodos, no termo de Celorico da Beira e posteriormente no de Trancoso, o concelho de Algodres não tardou a ser restituído ao seu antigo estatuto, que conservou até ao século XIX. 

 

  

 

Pelo menos a partir do século XIV, os direitos reais sobre Algodres foram objecto de sucessivas doações, ainda pouco estudadas[xiv].  A que terá tido maior continuidade e que perdurou na memória local, teve como beneficiária a casa dos Condes de Linhares. Na primeira metade do século XVI, o senhorio de Algodres foi concedido a D. António de Noronha,  Escrivão da Puridade dos reis D. Manuel I e D. João III,  que veio a ser agraciado com o título de Conde de Linhares. Após a Restauração de 1640, tendo o 4º. Conde de Linhares permanecido fiel ao rei de Espanha, o senhorio de Algodres reverteu para a Coroa, tendo sido posteriormente atribuído à Casa do Infantado, por doação régia de 21 de Abril de 1698.

 

 

 

Em Setembro de 1810, a 3a. Invasão Francesa passou pelo concelho, tendo deixado em Algodres um rasto de grande violência, de que dá testemunho um relato então lavrado pelo Vigário de Algodres, que refere a prática de roubos, agressões, incêndio de casas, profanação das igrejas, violações e diversos homicídios[xv].

 

 

 

Na sequência da “Revolução de Setembro”, a reorganização dos municípios, aprovada por Decreto de 6 de Novembro de 1836 (confirmada pelo Código Administrativo de Dezembro do mesmo ano), extinguiu centenas de concelhos em todo o reino. Foi então criado um concelho “d’ Algodres”, aí sedeado, que integrava os antigos concelhos de Algodres, Fornos, Figueiró da Granja, Matança, Infias, Casal do Monte e Penaverde. 

 

 

 

Decorridos poucos meses, o referido Decreto foi alterado por Decreto de 10 de Junho de 1837 (sancionado pela Lei de 12 de Junho do mesmo ano, publicada no Diário do Governo, nº 141, de 1837-06-17), que determinou, no seu parágrafo 12º., a passagem da sede do concelho para a vila de Fornos de Algodres e a desanexação das freguesias de Dornelas, Forninhos e Penaverde (do extinto concelho de Penaverde), que transitaram para o concelho de Aguiar da Beira (permaneceu a freguesia de Queiriz, que também pertencera a Penaverde)[xvi][xvii][xviii].

 

 

 

Passou então Algodres à sua condição actual, de sede de freguesia.

 

 

 

Como a história não se apaga, o protagonismo que teve na região - desde tempos em que ainda não havia o nome Portugal - permanece na designação pela qual são conhecidas estas “Terras de Algodres”.

 

 

 

Bibliografia e abreviaturas:  v. entradas de 2005-05-09.

 

- Continua -

 

 

 


Notas:

 

 

 

[i] Este texto corresponde a uma ligeira actualização de uma das primeiras entradas deste blog, aqui publicada em 2005-05-19.  Não pretende ser uma monografia (ou o esboço dela), mas apenas uma pequena síntese, especialmente destinada aos visitantes menos familiarizados com a história e o património cultural de Algodres.  Como tal, irá sendo actualizado quando a ocasião se proporcionar e passará a integrar a lista de links do blog (na secção “Neste Blog”).  Desde já agradecemos todos os comentários que possam ajudar a melhorá-lo.

 

Por razões de espaço disponível no servidor, o texto vai ser publicado em duas entradas sucessivas. 

 

[ii] V.: VALERA, 1993; CIHAFA, 2005 ou as informações disponíveis no site da CMFA (designadamente aqui, aqui, aqui e aqui). 

 

[iii] Cf. MACHADO, 2003, vol. I, p. 97; V. também esta entrada, versando a origem do topónimo. 

 

[iv] Cf.: VALERA, 2002-2003; VALERA, 2003; VALERA, 2006a, pp. 249 – 274 e 290 e VALERA, 2007, pp. 297-332 e p. 342.

 

[v] Cf. GOMES, 1988.

 

[vi] Cf.: SOARES e CARDOSO, 2003; SOARES e CARDOSO, s/d.

 

[vii] Cf. CURADO, 1986 e ALARCÃO, 1989, p. 309.

 

[viii] Cf. SOARES e CARDOSO, s/d.

 

[ix] Cf. MARQUES, 1938, pp. 15-17.  Figueiró da Granja chegou a integrar o termo de Algodres, como se vê nas Inquirições  de D. Afonso III (cf. PMH-INQ, p. 791).

 

[x] Cf.: PMH-INQ;  ANÓNIMO s/d b.

 

[xi] Cf. MOREIRA, 1980, pp. 48-55.

 

[xii] Cf.: RODRIGUES, 1979, pp. 64-69; MARQUES, 1938, pp. 190-191.

 

[xiii] Cf. MARQUES, 1938, pp. 286-287.

 

[xiv] Algumas das quais estão referidas em entradas publicadas neste blog (designadamente aqui, aqui, aqui e aqui). 

 

[xv] Cf. MARQUES, 1938, pp. 196-199.

 

[xvi] Pelo seu interesse, transcreve-se o teor da disposição:  “A Cabeça do Concelho d’ Algodres, no Districto Administrativo da Guarda, passará para a Villa de Forno d’ Algodres, e as Freguezias de Dornellas, Forninhos, e Penna-Verde, que formavam o antigo Concelho de Penna-Verde serão desannexadas do referido Concelho d’ Algodres, e reunidas aos d’ Aguiar da Beira da Comarca de Trancoso”  (cf. Collecção de Leis e ..., 1837, pp. 328-329  -  Albino Cardoso teve a gentileza de nos fazer chegar uma cópia desta publicação, que lhe tinha sido enviada pelo Dr. Pedro Pina Nóbrega). 

 

[xvii] Os limites administrativos do actual concelho de Fornos de Algodres ficaram consolidados em 1898, com a integração das freguesias de Juncais e Vila Ruiva (por Decreto de 13 de Janeiro  -  cf. MARQUES, 1938, pp. 311-312). 

 

[xviii] Sobre a extinção dos antigos concelhos e a criação do actual município, v., em especial, MARQUES, 1938, pp. 95-99 e as entradas publicadas aqui e aqui.

 


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publicado por algodrense às 23:59
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Algodres - História e Património (2)

 

 

- 1ª. parte -

 

 

 

Património arquitectónico e artístico[i]

 

  

 

O Algodres 2.JPG

 

(“O Algodres”  -  Agosto de 2001)

 

 

 

A Igreja Matriz de Algodres é o monumento mais antigo da aldeia. A actual construção, que terá sucedido a outras anteriores, datará do século XII e foi sucessivamente alterada desde então[ii].  De raíz românica, conserva o portal axial original, em arco ligeiramente apontado, assente sobre duas rudes colunas, numa das quais se encontram gravadas as medidas padrão do côvado e da vara vigentes no concelho. O campanário de três ventanas que remata a fachada principal data do século XVIII.  Na fachada posterior, está embutido um notável relevo, figurando o busto de um homem, popularmente conhecido como “o Algodres” e tido pelo fundador da povoação.  Trata-se, a n/ ver, de uma escultura de filiação românica, possivelmente coeva da construção inicial do templo, que parece representar um homem de religião, envergando um hábito monástico.  No interior da igreja, merecem especial referência os frontais dos altares colaterais, decorados com azulejos de aresta hispano-mouriscos (s. XVI), o altar-mor em talha dourada e policromada de vermelho (que integra / reutiliza duas excelentes pinturas quinhentistas, representando o Baptismo de Cristo e S. Pedro) e o tecto em caixotões (ambos do séc. XVIII).

 

 

 

  

 

Na praça contígua, domina o Pelourinho (s. XVI), um dos mais imponentes e elegantes no seu género. Trata-se de um pelourinho “de gaiola”, que tem como particularidades notáveis a coluna de fuste octogonal com cerca de 5,5 m., construída numa única pedra, o fino lavor do capitel e dos colunelos da gaiola - decorados com pequenas meias esferas - e os restos dos “ferros de sujeição” que ainda conserva.  À entrada da praça pode ver-se uma casa com uma janela quinhentista, igualmente decorada com meias esferas.

 

  

 

LargoMisericordia1.JPG

 

(Misericórdia de Algodres  -  Agosto de 2001)

 

 

 

Nas traseiras da Matriz encontra-se a Igreja da Misericórdia, que uma tradição arreigada afirma ter sido construída no local e com pedras do antigo Castelo (o que até hoje não foi possível confirmar). É plausível que uma povoação com a importância de Algodres tenha tido um reduto defensivo, desde os tempos problemáticos da Reconquista, a exemplo de outros desse período que se conhecem na região (alguns até em locais posteriormente despovoados[iii]). Porém, estando situada à ilharga das principais vias de comunicação N/S e E/O, Algodres nunca terá tido relevo estratégico que motivasse o investimento em fortificações de vulto.  A Misericórdia foi fundada em 1621, conjecturando-se que o templo tenha sido edificado entre os séculos XVII - XVIII. Tem adossado o edifício da Santa Casa da Misericórdia que comunica com o interior da igreja por uma tribuna (o “balcão dos mesários”). Possui um curioso púlpito exterior, conhecido como “Varanda de Pilatos”. No interior merecem destaque a imagem em madeira articulada do “Senhor da Cama” e um rico políptico do século XVII, tendo ao centro Nossa Senhora das Misericórdias, no qual José Hermano Saraiva quer ver, anacronicamente, um retrato da 2a. Condessa de Linhares, D. Violante de Andrade[iv].  No largo fronteiro à Misericórdia está implantado um Cruzeiro, de cruz trilobada, que será contemporâneo da construção daquela igreja.  Associados à Misericórdia, existem espalhados pela povoação seis nichos em pedra, nos quais são colocados painéis representando a paixão de Cristo, nas cerimónias litúrgicas da Páscoa.  O percurso que definem culmina no Calvário (que inclui a Capela da Senhora do Pé da Cruz), no Alto de S. João, um recinto belíssimo, povoado por cedros seculares. 

 

 

 

  

 

Tribunal2006.JPG

 

(Algodres  -  antigo edifício dos Paços do Concelho)

 

(foto de Albino Cardoso  -  Fevereiro de 2006)

 

 

 

Vale também a pena conhecer o edifício dos Paços do Concelho, Tribunal e Cadeia, que terá sucedido ao que primitivamente se localizava na Praça e que dá ideia da importância que o concelho alcançou.  Este edifício foi, depois, por algum tempo, solar da família Osório de Castro, o que explica o brasão que hoje ostenta.  Uma outra casa, situada no Largo da Nogueira, conserva também um brasão da mesma família. 

 

 

 

Vejam-se, noutra residência senhorial, outrora da família Camelo Forte, duas janelas de avental, provavelmente seiscentistas e, na cerca anexa, a torre romântica do “Mirante”.

 

 

 

Depois de conhecidos estes ex-libris da terra, perca-se o visitante nas graníticas ruas da aldeia, no prazer da descoberta de recantos e de outras memórias do passado, que seria impossível aqui registar.

 

 

 

Bibliografia e abreviaturas:  v. entradas de 2005-05-09.

 

 

 



Notas:

 

 

 

[i] Cf, em especial: CONCEIÇÃO, 1992 a;  CONCEIÇÃO, 1992 b  e  FIGUEIREDO, 2006;  DIONÍSIO, 1985;  FIGUEIREDO, 2004;  LEMOS, s/d a;  MARQUES, 1938, pp. 283-297;  REAL, 1949;  RODRIGUES, s/d;  SOUSA, Júlio, 1998;  VILHENA e VILHENA, 2002.

 

[ii] Esta igreja tem associada, como se referiu, uma necrópole que remonta à Alta Idade Média, que indicia que nesse período a paroquial de Algodres seria o principal pólo organizador da vida social nos territórios que integraram o termo do concelho medieval de Algodres.  À semelhança do que se verificou noutros templos da região nos sécs. XII-XIII, é provável que tenha sido reconstruída e ampliada por volta do séc. XII (o que é compatível com a sua traça), datando possivelmente de então a já referida reutilização de um sarcófago nas fundações da parede Sul.  A documentação conhecida, revela que nos sécs. XIII-XIV a Igreja de Algodres era uma das mais importantes do bispado de Viseu.  Em 1517, D. Manuel I afectou esta igreja a uma comenda da Ordem de Cristo, o que explica a inclusão da cruz da ordem no actual brasão da freguesia. 

 

[iii] Por exemplo, o “Castelo dos Mouros” de S. Pedro de Matos (em Forninhos, Aguiar da Beira  -  cf. COELHO, 1948, pp. 287-288 e pp. 291-293, embora propondo cronologia diversa; LEMOS, 2001, pp. 196-198; MARQUES, 2000b, p. 180; MARQUES, 2001, pp. 115 e 122; NÓBREGA, 2004, pp. 13-14, que indica mais bibliografia), o castelo de “Vale do Castelo” (em Carapito, Aguiar da Beira – cf. MARQUES, 2001, pp. 115-116 e 122; NÓBREGA, 2004, pp. 14-15) e, possivelmente, o “Penedo dos Mouros” (em Gouveia  -  cf. ANGELLUCI, TENTE e MARTINS, 2004 e TENTE, 2007a, pp. 45-50) e o reduto de “S. Gens”  (em Forno Telheiro, Celorico da Beira  -  cf. LOBÃO, MARQUES e NEVES, 2005).

 

Sobre o castelo de Algodres, v. também as entradas de Albino Cardoso publicadas aqui, aqui e aqui.

 

[iv] Cf. SARAIVA, 1994; SARAIVA, 2007 e a crítica de LEMOS, s/d a.  V. também esta entrada. 

 


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publicado por algodrense às 23:41
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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007
Os livros da algodrense Amélia Pinto Pais

 

Algodres não é apenas um sítio histórico e monumental. É uma comunidade com um profundo sentimento identitário, que marca todos os que se orgulham de ser seus filhos.

 

   

 

Falar de Algodres é também falar da obra dos que assumem a sua condição de algodrenses, por maior que seja a ausência ou a distância que os separa da terra natal.

 

   

 

É o caso de Amélia Pinto Pais.  Nascida em Algodres, em 1943, é professora (aposentada) e vive em Leiria.  Tem dedicado a vida ao estudo e ao ensino da literatura portuguesa.  Nos últimos 25 anos, publicou diversos livros, em geral de natureza didáctica e ensaística.  Tem poemas seus publicados no n. 10 (Outono de 2006) da revista DiVersos e em páginas na net.  Tem colaborado em blogs colectivos e é autora do blog “Ao longe os barcos de flores”.

 

 

 

EuCantareideAmor.jpg   leslusiadesenprose.jpg  

 

ABarcadoInferno2aEd.jpg       ParaCompreenderosLusiadas.jpg

 

(Capas de alguns dos livros de Amélia Pinto Pais)

 

 

Na Areal Editores, publicou uma História da Literatura em Portugal (em três volumes: Época Medieval e Clássica, Época Romântica, Época Moderna) e os títulos Para compreender os Lusíadas, Para compreender Fernando Pessoa,  Eu cantarei de Amor – poesia lírica de Luís de Camões, Auto da barca do Inferno de Gil Vicente, uma edição escolar anotada de Os Lusíadas, Os Lusíadas em prosa, traduzido em francês com o título Les Lusiades en prose, Saber português e Ensinar os Lusíadas.  Publicou ainda os manuais (já fora do mercado, por alterações programáticas): Ler por gosto (10º., 11º. e 12º. anos) e, em colaboração, Ser em português (10º., 11º. e 12º. anos).

 

   

 

Em meados de Setembro p.f., começará a ser distribuído o seu novo livro: Fernando Pessoa, o menino da sua mãe, editado pela Âmbar e dedicado ao público infanto-juvenil (à semelhança do já referido Os Lusíadas em prosa).

 

OMeninodesuaMae.jpg

 

 

(Capa do novo livro de Amélia Pinto Pais )

 



publicado por algodrense às 19:00
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Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007
Tesouros da Misericórdia de Algodres: (2) o “quadro da sacristia”

 

 

No acervo artístico da Igreja da Misericórdia de Algodres, destaca-se um grande quadro, composto por cinco painéis, pintados sobre madeira. A  qualidade das pinturas que o integram foi há muito salientada por Mons. Pinheiro Marques e também não escapou aos autores do Guia de Portugal e dos Tesouros Artísticos de Portugal.[i] 

 

 

 

Poliptico.JPG 

 

Presentemente, encontra-se exposto numa parede lateral da capela-mor, no lado do Evangelho.  Até finais dos anos setenta do século passado, esteve colocado na sacristia, sobre um arcaz e encostado a um afloramento granítico ao qual a construção foi adossada[ii]

 

 Estruturado como um retábulo, é constituído por “...um tríptico com pintura sobre madeira, representando, ao centro, Nossa Senhora da Misericórdia e nos volantes a Visitação e a Anunciação, com caixilhos de madeira, surgindo, na predela, uma “Ultima Ceia”; o conjunto é rematado por tabela com a representação de Deus Pai, flanqueado por colunas jónicas e aletas, rematado por cornija e por um Crucificado.”[iii].

 

 Esta iconografia é muito característica de obras encomendadas por / para Misericórdias.

 

 A figura de Nossa Senhora da Misericórdia é, naturalmente, um tema sempre presente nestes contextos, enquanto símbolo emblemático da instituição. Com raízes em devoções e representações anteriores, como a Virgem do Manto, a Senhora da Misericórdia apresenta a Virgem como Mater Omnia, protectora e intercessora de toda a cristandade[iv].  Nesta representação, a Virgem abriga, sob o seu manto azul, aberto e sustentado por anjos alados, representantes das várias classes sociais, que a adoram e são acolhidos sob a sua protecção. Nas Misericórdias portuguesas, a iconografia da Senhora da Misericórdia foi sendo padronizada, representando-se, em regra, do lado da sua mão direita figuras do clero (papa, cardeal, bispo, membros de ordens religiosas, ...), do lado da sua mão esquerda os poderes seculares (rei, rainha, nobres, ...) e outras figuras laicas e, por vezes, a seus pés, os mais desprotegidos (crianças, aleijados, miseráveis, ...)[v]. 

 

 Este programa teve uma tradução muito limitada no painel de Nossa Senhora da Misericórdia do tríptico de Algodres, o que poderá ser atribuído a constrangimentos decorrentes das dimensões do suporte e/ou a motivações subjacentes à encomenda ou a um carácter local da obra.

 

 

 

Poliptico2.JPG

 

(Painel de Nª. Srª. da Misericórdia)

 

 A Virgem da Misericórdia está também representada no anverso da bandeira da Misericórdia de Algodres[vi], que tem, no reverso, a representação de Nossa Senhora da Piedade, como era habitual[vii]. 

 

 

 

BandeiraFrente.JPG BandeiraVerso.JPG

 

(Bandeira da Misericórdia de Algodres)

 

 As cenas representando a “Visitação” e a “Anunciação” são também frequentes na iconografia associada às Misericórdias, por se relacionarem com episódios que evocam actos de misericórdia. Pela misericórdia divina, S. Isabel, já idosa, gera um filho tardio (S. João Baptista). Durante a sua gestação, um anjo anuncia a Maria que irá dar à luz o Filho de Deus e, pouco depois da Anunciação, a Virgem visita S. Isabel, o que também é entendido como um acto de misericórdia.  Por isso, o dia 2 de Julho, Festa da Visitação, era simultaneamente o dia de festa das Misericórdias[viii]. 

 

 

 

Visitacao.JPG          Anunciacao.JPG

 

(Painéis da Visitação e da Anunciação) 

 

Sabendo-se do protagonismo que as Misericórdias em geral – e a de Algodres em particular – assumiram na celebração dos rituais da Semana Santa[ix], também se compreende facilmente a inclusão de uma representação da “Última Ceia” na predela deste conjunto pictórico, cuja filiação nos modelos iconográficos das produções destinadas a Misericórdias resulta por demais evidente.

 

 É assim bastante provável que este quadro tenha sido encomendado propositadamente para a Misericórdia de Algodres.  O seu autor ainda é desconhecido (tanto quanto julgo saber).  A feitura da obra é geralmente situada no século XVII[x].

 

 Sendo notável, essencialmente, pela qualidade artística, o “quadro da sacristia” veio entretanto a alcançar uma notoriedade inusitada, por força de uma tese que relaciona o painel de Nossa Senhora da Misericórdia com a vida de Camões.

 

 

 

O retrato de Violante?[xi]

 

 

 

O Prof. José Hermano Saraiva defendeu, na Vida ignorada de Camões[xii] e nos seus programas televisivos[xiii], que a figura feminina, representada do lado da mão esquerda de Nossa Senhora da Misericórdia, corresponde ao retrato de D. Violante de Andrade, a “estouvada” mulher do 2º. Conde de Linhares, D. Francisco de Noronha.  Segundo este autor, D. Violante terá sido a grande paixão de Camões, com influência decisiva na vida e na obra do poeta. 

 

 

 

Poliptico3.JPG

 

(Pormenor do painel de Nª. Srª. da Misericórdia) 

 

A tese é apresentada da seguinte forma[xiv]:

 

“Num retábulo que se encontrava em Agosto de 1977 numa arrecadação contínua à capela da Misericórdia de Algodres há o que penso ser um retrato de Violante.  O quadro, de boa pintura dos meados do século XVI, tem os ofertantes, mulher e marido, joelhados do lado direito do painel central. A cabeleira é loura, presa com um trançado, as sobrancelhas são finas e pretas, os olhos grandes, luminosos.  Quem podiam ser os ofertantes?  O proprietário da vila era D. António de Noronha, que morreu em 1551, com 87 anos; o fidalgo representado no quadro é muito mais novo.  Os novos senhores foram D. Francisco e Violante; e D. Francisco era homem para quem as Misericórdias eram instituições muito do seu agrado, visto ter sido por duas vezes eleito provedor da Misericórdia de Lisboa.”. 

 

Esta atraente teoria ignora ou despreza, contudo, alguns dados incontornáveis, pelo que foi desde logo questionada pelo então pároco de Algodres, Pe. Luís Ferreira de Lemos, nos seguintes termos[xv]:

 

“----- A misericórdia foi fundada em 1621. 47 anos após a morte de D. Francisco.

 

----- Era já senhores de Algodres D. Miguel de Noronha, primo em segundo grau de D. Fernando de Noronha, filho e sucessor de D. Francisco.

 

----- Embora senhores de Algodres, os condes não figuram nem entre os fundadores nem entre os benfeitores da Misericórdia.

 

----- Fundação não significa automáticamente igreja construída para albergar o quadro.

 

----- Iriam retratar pessoas que nada interferiram naquela fundação e já desaparecidas, há quasi meio século?

 

... A menos que o quadro não tivesse sido feito para ali ... – o que não parece crível.

 

---- E a pintura será do século de quinhentos?...”. 

 

Creio que o Pe. Luís de Lemos tem razão. 

 

 D. Francisco de Noronha faleceu em 1573[xvi].  D. Violante em 1605[xvii].  Está documentado que a Misericórdia de Algodres foi fundada apenas em 1621 e canonicamente instituída em 1622[xviii], sendo a sua Igreja construída nas décadas posteriores.  Entre os fundadores da Misericórdia e benfeitores que os documentos conhecidos registam não há qualquer referência aos 2ºs. Condes de Linhares ou aos seus sucessores[xix].  O mesmo acontece, aliás, com a Misericórdia de Linhares, que terá sido fundada em 1576[xx]. 

 

 Assim, contrariamente ao que alvitra o Prof. José Hermano Saraiva, nada liga os 2ºs. Condes de Linhares à Misericórdia de Algodres, sendo ambos já falecidos quando a mesma foi fundada, o que infirma os pressupostos da sua tese.  A menos que se admita que o quadro não foi encomendado para esta Misericórdia, tendo sido pintado décadas atrás e ofertado posteriormente à instituição.  Mas, também para essa hipótese não são conhecidos quaisquer indícios que permitam relacionar a pintura com os 2ºs. Condes de Linhares, nem J. H. Saraiva o invoca.

 

 Por este conjunto de razões[xxi], a tentativa de identificação de D. Violante de Andrade, na tábua da Misericórdia de Algodres, parece carecer, liminarmente, de fundamento, pelo menos à luz dos dados e documentos até agora divulgados.  A menos que se perfilhe a conhecida máxima - geralmente atribuída a William Randolph Hearst – “não deixe que a verdade estrague uma boa história”.

 

 Porém, no vol. 6 das suas Memórias, publicado em 21 de Julho de 2007, o Prof. José Hermano Saraiva, sem contraditar as objecções acima referidas ou apresentar quaisquer dados novos, veio retomar a tese que tem defendido, num enunciado ainda mais ousado[xxii]:

 

“Era então costume (estou a referir-me ao século XVI) os fidalgos fundadores de Misericórdias ou outras instituições piedosas ofertarem obras de arte nas quais eles próprios estavam representados.  Eu andava então literalmente apaixonado por Violante de Andrade, por quem Camões, jovem pagem, se perdeu:  como seria a mulher que inspirou os mais belos versos líricos portugueses?  Só o saberia se encontrasse pintado o retrato de D. Violante.  Seria isso possível?

 

 

 

Ao fim de muitas pesquisas, apurei que D. Francisco de Noronha fundara duas Misericórdias:  a de Linhares e a de Algodres.  Fui lá, e em ambas estava o retrato da amante de Camões com o marido, o fidalgo de barba já branca que se encontra junto dela.

 

Em Linhares estão pintados na bandeira da Misericórdia.  Em Algodres, a Misericórdia extinguiu-se mas o belo retábulo estava recolhido num palheiro de telha vã, exposto às degradações do tempo e à cupidez de latrocínios e antiquários.”. 

 

Para não referir outras questões de pormenor[xxiii], limito-me a constatar que, ao afirmar que D. Francisco de Noronha foi fundador da Misericórdia de Algodres,  o autor insiste num evidente anacronismo, no qual baseia todo o seu raciocínio[xxiv].

 

 

 

O restauro do quadro

 

 

Em 1938, Mons. Pinheiro Marques registava que a Igreja da Misericórdia se encontrava bastante abandonada e encerrada ao culto e alertava para o estado de deterioração do quadro da sacristia e para a necessidade de o mesmo ser protegido e restaurado[xxv]:

 

“Na Sacristia está, bastante deteriorado e expôsto à humidade e intempéries, um grande e magnífico painel, poliptico, por certo de bom autor. Representa no centro N.ª S.ª da Misericórdia, à esquerda a Visitação, à direita Santa Ana e na base a Ceia do Senhor.

 

Creio que esta magnífica peça de arte tem muito valor pela belesa e expressão das figuras, perfeição do desenho e maciesa das tintas, e, em meu parecer, bem merecia ser retirada do logar em que se encontra, (encostada a um enorme penedo donde escorre a chuva) e, depois de restaurado, ser colocado em local mais apropriado.”. 

 

Quatro décadas volvidas, o quadro continuava no mesmo local, vulnerável às infiltrações de águas pluviais (que acabaram por destruir também o arcaz em que assentava) e cada vez mais degradado. 

 

 

 

PenedoSacristia.JPG

 

(Vista parcial do penedo da sacristia, em Dez. 2005) 

 

Valeu-lhe então a notoriedade alcançada através da teoria defendida por J. H. Saraiva e o empenho pessoal do mediático historiador. Após algumas peripécias, foi recolhido para restauro no prestigiado Instituto de José de Figueiredo[xxvi] (posteriormente IPCR, actualmente integrado no IMC).

 

 De acordo com a informação que pude obter do IPCR[xxvii], o quadro é constituído por painéis pintados a óleo sobre madeira de castanho, que se encontravam em geral bastante danificados e com muitas falhas, devido à má qualidade dos suportes e à humidade a que estiveram expostos. Genericamente, os trabalhos realizados no IJF / IPCR consistiram na desinfestação, reparação dos suportes / consolidação de fendas, remoção de alguns repintes e restauro da camada cromática.

 

 No final do século passado, foram enfim efectuadas algumas obras de recuperação da Igreja da Misericórdia, que criaram condições para o regresso do quadro, já restaurado, a Algodres e ao templo a que pertence.

 

 Assim se preservou este testemunho maior do património artístico das Terras de Algodres.

 

 Os algodrenses recordarão que tal se ficou a dever, em muito, ao Prof. José Hermano Saraiva, por mais fantasiosa que se afigure a sua tese sobre o retrato de Violante de Andrade[xxviii].

 

 

 

Bibliografia e abreviaturas:  v. entradas de 2005-05-09.

 

 
 


 

Notas:

 

 

 

[i] Cf. MARQUES, 1938, p. 294; DIONÍSIO, 1985, p. 846-847 e ALMEIDA, 1976, p. 75.

 

[ii] Razão pela qual algumas publicações o localizam na sacristia, ou se lhe referem como “o quadro da sacristia” (LEMOS, s/d a).

 

[iii] CONCEIÇÃO 1992b  e  FIGUEIREDO 2006.  Neste trabalho, na versão de 2006, afirma-se que o quadro “constituía o primitivo retábulo, datado do início do século 17”, que teria antecedido o actual retábulo-mor joanino, mas não se explicitam os fundamentos dessa asserção.

 

[iv] Cf. CAETANO, 1998 ou  SERRÃO, 1998.

 

[v] Esta representação iconográfica acabou por ter uma consagração oficial, no referente às bandeiras das Misericórdias. Na sequência de reclamação dos frades trinos, que queriam Frei Miguel de Contreiras retratado nas bandeiras da Misericórdia de Lisboa (e identificado pelas letras F.M.I. – Frei Miguel Instituidor), a mesa da Santa Casa proferiu em 1574 um assento nesse sentido e, em 1576, um novo assento estabeleceu, pormenorizadamente, a representação da Virgem da Misericórdia nas bandeiras da instituição: “... determinamos que no pintar das bandeiras, esteja de uma parte a imagem de Christo nosso Redemptor e da outra a SS. Virgem, Mãe da Misericórdia. Á sua mão direita um papa, um cardeal e um bispo, como cabeça da Egreja militante, e um religioso da SS. Trindade, grave, velho e macilento, de joelhos e mãos levantadas, com estas letras F.M.I. que querem dizer Frei Miguel Instituidor; e da parte esquerda da mesma Senhora um rei e uma rainha, em memória do inclito rei D. Manuel e da rainha D. Leonor, como primeiros irmãos d’esta Irmandade; mais dois velhos graves e devotos, companheiros do venerável instituidor, e aos pés da Senhora algumas figuras de miseraveis que representam os pobres”.  Em 1627, um alvará régio de Filipe III (II de Portugal), determinou que as  “bandeiras de todas as Misericordias d’estes reinos se conformem com as d’esta cidade de Lisboa...” – v. CAETANO, 1998, p. 76.  Cf. também SERRÃO, 1998, p. 139.

 

[vi] Esta bandeira carece de um profundo restauro ou de ser guardada e substituída, dado que as pinturas estão fortemente degradadas pela exposição ao sol e são hoje quase invisíveis.

 

[vii] Cf. SERRÃO, 1998, p. 139.

 

[viii] Cf. SÁ, 1998, pp. 44-45 e SERRÃO, 1998, pp. 138-139.

 

[ix] Cf. referido na primeira entrada desta série, relativa à imagem do “Senhor da Cama”. 

 

[x] Cf. ALMEIDA, 1976, p. 75; CONCEIÇÃO 1992b  e  FIGUEIREDO 2006; no mesmo sentido se pronuncia o IPCR, na informação constante do ofício de 2002-04-18, cit. na nota XXVII, infra.

 

[xi] Sigo aqui de perto uma mensagem que enviei em Março de 2004 ao “O Blog do Alex”, ali publicada como post n. 676. 

 

[xii] SARAIVA, 1994.

 

[xiii] O último dos quais terá sido o episódio da série A Alma e a Gente intitulado “E afinal, quem era Costa Cabral?”, emitido pela primeira vez na RTP em 2003-06-07 e editado em VHS na col. “Os vídeos RTP” (dos programas anteriores, infelizmente não tenho registo).

 

[xiv] Cf. SARAIVA, 1994, p. 149.

 

[xv] Cf. LEMOS, s/d a.

 

[xvi] Cf. SARAIVA, 1994 p. 421.

 

[xvii] Cf. SARAIVA, 1994 p. 439.

 

[xviii] Cf. MARQUES, 1938, p. 294, que cita  José Osório da Gama e Castro, Diocese e Distrito da Guarda, 1902, p. 129.  Na “Memória Paroquial” de 1758 (disponível em TT OnLine com a ref.: PT-TT-MPRQ/2/61), afirma-se, diversamente, que a Misericórdia foi instituída em 1615 (resposta ao quesito 12). 

 

[xix] Cf. MARQUES, 1938, p. 294, que cita  José Osório da Gama e Castro, Diocese e Distrito da Guarda, 1902, p. 129.

 

[xx] Cf. RODRIGUES, 1979, p. 81.

 

[xxi] Outras considerações poderiam ser convocadas para uma análise mais aprofundada da hipótese apresentada por J. H. Saraiva. Estando prejudicadas, a priori, pelas razões cronológicas apontadas, referirei, sumariamente, apenas o seguinte:  O destaque dado à representação do casal de fidalgos na tábua em apreço (com algum desvio da iconografia mais habitual: rei, rainha, ...), parece compatível com a possibilidade de se tratar de retratos de encomendadores / ofertantes da obra. Em todo o caso, deve ter-se presente que, no tocante às pinturas destinadas a Misericórdias, essa representação retratística terá sido marcadamente excepcional, dominando as representações simbolizando tipos sociais (cf. CAETANO, 1998, pp. 73 e 75;  SERRÃO, 1998, p. 136). Por outro lado, os hipotéticos retratos não aparentam, a meu ver, a diferença de idades que então existiria entre D. Francisco e D. Violante (cerca de 18 anos). A pretensa D. Violante também não apresenta o cabelo louro com que J. H. Saraiva a imagina, pelo menos após o restauro do quadro (não disponho de imagens anteriores). Talvez por isso, J. H. Saraiva se tenha insurgido contra “...um restauro que desnecessariamente desfigurou muito o semblante da mulher que inspirou a obra lírica do maior vulto literário do Renascimento em Portugal” (SARAIVA, 2007, p. 90).  Recordo ainda que a feitura desta obra tem sido geralmente atribuída ao século XVII (cf. nota X, supra).

 

[xxii] Cf. SARAIVA, 2007, p. 89.

 

[xxiii] Designadamente, a real expressão do “costume” invocado ou a putativa extinção da Misericórdia de Algodres.

 

[xxiv] Não tem aqui cabimento a análise da tese relativa à bandeira da Misericórdia de Linhares (na qual a suposta ofertante estaria representada como rainha).  Os interessados poderão ver uma reprodução da cópia dessa bandeira (a bandeira original foi retirada de uso e está guardada) no livro de Leonel Abrantes, Linhares – antiga e nobre vila da Beira – museu de arte da Serra da Estrela, 2a. ed., Viseu, 1998, p. 29.

 

[xxv] Cf. MARQUES, 1938, p. 294.

 

[xxvi] J. H. Saraiva relata assim o sucedido (SARAIVA, 2007, pp. 89-90):

 

“Fotografei o retábulo e chamei a atenção das autoridades locais e de toda a gente que me acompanhava para o imenso valor histórico daquelas velhas tábuas.  Insisti em que não tardariam a aparecer por ali pessoas a quererem vê-lo, oferecendo dinheiro ou dando qualquer outra justificação.  E voltei depressa para Lisboa para contar ao secretário de Estado da Cultura, dr. David Mourão-Ferreira, a descoberta que acabava de fazer.  Pedi a urgente intervenção do Governo para salvar da ruína o retábulo.  E o meu pedido foi prontamente atendido: passados poucos dias, uma equipa do Instituto José de Figueiredo, anexo ao Museu Nacional de Arte Antiga, foi a Algodres e quis trazer o quadro para Lisboa para o indispensável restauro.

 

As pessoas que tinham ouvido as minhas recomendações julgaram, porém, que eram ladrões quanto aos quais eu as prevenira, tocaram a rebate, impediram a saída do retábulo e mostraram-se indignados e ameaçadores contra os funcionários do Instituto, que tiveram de retirar rapidamente.  O dr. David Mourão-Ferreira telefonou-me a contar o sucedido, e a pedir-me que voltasse a Algodres para esclarecer a situação e explicar que o objectivo do Governo era salvar uma obra-de-arte.  A equipa voltou lá, o quadro esteve muitos anos nas oficinas, mas está hoje de novo em Algodres após um restauro que desnecessariamente desfigurou muito o semblante da mulher que inspirou a obra lírica do maior vulto literário do Renascimento em Portugal.”.

 

[xxvii] Transmitida por ofício do IPCR com a ref. ST-73, datado de 2002-04-18. Atento o interesse histórico de que se reveste a informação disponibilizada, vou remeter cópia desse ofício ao CIHAFA para, se assim for entendido, ali ficar arquivada. 

 

[xxviii] As fotos que ilustram esta entrada foram tiradas em Dezembro de 2005.

 


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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007
Documentos para a história de Algodres (9)

 

 

(Chancelaria de D. Afonso V)

 

 

 

O Dr. Pedro Pinto (CEH-UNL), a quem muito agradeço a permanente disponibilidade para nos fazer chegar informações sobre fundos documentais com interesse para a história das Terras de Algodres, remeteu-nos a seguinte listagem de documentos existentes no IAN/TT, na chancelaria de D. Afonso V (referenciando o livro, folio, data e o respectivo resumo)[i]:

 

 

 

20,67v

 

14.01.14[...]

 

D. Afonso V nomeia João Gonçalves, tabelião, morador em Algodres, para o cargo de escrivão da coudelaria deste lugar, em substituição de Álvaro Sapata que renunciara, e mandando ao coudel que lhe dê notícia de todos os actos desenvolvidos para que os registe.

 

 

 

14,69v

 

34.04.14...

 

D. Afonso V nomeia por 3 anos Martim Soveral, para o cargo de coudel de Fornos de Algodres e Figueiró da Granja, em substituição de Vasco Gomes.

 

 

 

15,41v

 

04.04.[1455]

 

D. Afonso V nomeia novamente Fernão Gonçalves [Pinheiro], morador em […] de Algodres, para o cargo de juíz das sisas régias no lugar de Algodres e Figueiró.

 

 

 

19,96

 

13.7.1439

 

D. Afonso V nomeia Afonso Vasques, irmão de Martim Vasques Moreira, porteiro da câmara régia, para o cargo de juiz dos orfãos dos concelhos de Algodres e Pena Verde e seus termos, como o era em vida de D. Duarte.

 

 

 

19,96v

 

31.8.1439

 

D. Afonso V confirma nomeação de Gil Gonçalves, morador em Fornos de Algodres, no cargo de escrivão da Câmara e dos orfãos da vila de Fornos de Algodres.

 

 

 

ibidem

 

D. Afonso V confirma ao concelho de Fornos de Algodres todos os seus priviégios, graças e mercês.

 

 

 

19,102v

 

31.8.1439

 

D. Afonso V confirma ao concelho e homens bons do julgado de Fornos do cabo de Algodres todos os seus privilégios, liberdades, graças e mercês.

 

 

 

19,89v

 

1.9.1439

 

D. Afonso V confirma nomeação de Gil Gonçalves, morador em Fornos, no cargo das sisas gerais, vinhos e panos de cor do julgado de Tavares, Fornos de Algodres, que substituíra Lopo Afonso, que renunciara.

 

 

 

20,133v

 

25.5.1440

 

D. Afonso V perdoa a justiça régia a Antoninho Martins, morador na Asseiceira, termo de Algodres, na sequência do perdão geral outorgado para reduzir o despovoamento, acusado da morte de Aldonça Martins, mulher de Gil Gonçalves, também, morador nodito lugar.

 

 

 

27,81

 

9.5.1443

 

D. Afonso V nomeia Afonso Eanes de Soveral, criado de D. Duarte de Meneses, conselheiro régio, e a seu pedido, para o cargo de escrivão das sisas régias e dos seus feitos, no concelho de Algodres e em Figueiró da Granja, em substituíção de Gonçalo Martins, tabelião no dito concelho, que renunciara.

 

 

 

27,79v

 

11.5.1443

 

D. Afonso V nomeia Afonso Eanes de Soveral para o cargo de tabelião do cível e crime nos julgados de Algodres e Figueiró da Granja, em substituíção de Gonçalo Martins, que renunciara.

 

 

 

25,82

 

29.8.1444

 

D. Afonso V confirma doação a Álvaro Mendes de Cáceres, fidalgo da casa régia, do julgado de Algodres e Fornos da correição da Beira, com seus termos, rendas e jurisdições.

 

 

 

5,3

 

20.1.1446

 

D. Afonso V legitima Maria Domingues, filha de João Eanes, abade de Algodres, clérigo de missa do bispado de Viseu e de Maria Esteves, mulher solteira.

 

 

 

5,103v

 

29.12.1447

 

D. Afonso V legitima Fernando e Pedro, filhos de Fernão Pires, abade de Ansiães, moradores em Algodres e de Inês Vasques, mulher solteira.

 

 

 

5,103v

 

29.12.1447

 

D. Afonso V legitima Ousevida, irmã de Fernando e Pedro, filhos de Fernão Pires, abade de Ansiães, moradores em Algodres, e de Inês Vasques, mulher solteira.

 

 

 

34,64

 

30.4.1450

 

D. Afonso V nomeia Afonso Eanes de Sobral, criado de D. Duarte de Meneses, para o cargo de escrivão dos feitos e sisas de Algodres e Figueiró.

 

 

 

12,123v

 

4.12.1452

 

D. Afonso V legitima Senhorinha, filha de Pedro Afonso, abade de Fornos de cabo de Algodres e de Maria Gonçalves, mulher solteira.

 

 

 

3,42

 

3.3.1453

 

D. Afonso V nomeia por cinco anos Gil Gonçalves, escudeiro, morador no julgado de Algodres, para o cargo de coudel do dito julgado, bem como de Fornos e seu termo, em substituição de Luís Dias, que terminara o tempo do exercício do cargo.

 

 

 

3,45

 

8.4.1453

 

D. Afonso V doa a João de Cáceres, fidalgo da casa do Infante D. Fernando, os julgados de Algodres e Fornos, na comarca da Beira, com todos os seus direitos, que eram de Álvaro Mendes de Cáceres, seu irmão, que morrera sem deixar filho varão.

 

 

 

3,67

 

4.5.1453

 

D. Afonso V nomeia João de Maçana, morador em Pena Verde, para o cargo de coudel dos julgados de Fornos, Pena Verde e Algodres, em substituição de Álvaro Mendes de Cáceres, que morrera.

 

 

 

4,14v-15

 

20.7.1453

 

D. Afonso V concede a Gonçalo Afonso, escudeiro, criado do conde Palatino, e a requerimento deste, a administração de uma capela situada em Fornos de Algodres.

 

 

 

1,107v

 

27.11.1462

 

D. Afonso V nomeia por 3 anos Vasco Gomes, morador no Soveral, para o cargo de coudel nos lugares de Algodres, Pena Verde, Fornes, Tavares, Figueiró e seus termos, em substituição de Gonçalo Gil, que terminara o tempo de exercício do cargo.

 

 

 

9,32

 

2.3.1463

 

D. Afonso V privilegia Gonçalo Martins, chanceler da correição da Beira, vassalo régio, criado de D. Fernando, morador em Algodres, concedendo-lhe aposentação sem ter atingido a idade de 70 anos, com toda a sua honra.

 

 

 

8,136v

 

8.6.1464

 

D. Afonso V nomeia João Ferrão, morador no Cortiço, termo de Algodres, para o cargo de juiz das sisas no julgado de Algodres e Figueiró, em substituição de Fernão Gonçalves Pedreiro, que renunciara.

 

 

 

8,83v

 

29.8.1464

 

D. Afonso V nomeia Gonçalo Gil, criado de Diogo da Silveira, morador em Fornos de Algodres, para o cargo de tabelião do cível e crime nos julgados de Tavares e Fornos, em substituição de Gil Gonçalves que renunciara.

 

 

 

8,92v

 

29.8.1464

 

D. Afonso V nomeia Gonçalo Gil, morador em Fornos, para o cargo de escrivão das sisas régias, vinhos e panos de cor nos julgados de Tavares e Fornos de Algodres, em substituição de Gil Gonçalves, que renunciara.

 

 

 

8,83v

 

30.8.1464

 

Apresentação e registo do sinal público de tabelionado do provido no cargo, Gonçalo Gil, escudeiro, criado de Diogo da Silveira, morador em Fornos de Algodres, para o cargo de tabelião nos julgados de Tavares e Fornos.

 

 

 

8,46v

 

28.11.1464

 

D. Afonso V nomeia João de Marçana, escudeiro, morador em Fornos de Algodres, para o cargo de tabelião do cível e crime nos julgados de Algodres, Fornos, Figueiró, Pena verde e seus termos, em substituição de [Loy] Pires, que renunciara.

 

 

 

8,46v

 

28.11.1464

 

Apresentação e registo do sinal público de tabelionado do provido no cargo, João de Marçana, escudeiro, morador em Fornos de Algodres.

 

 

 

8,25

 

16.5.1465

 

D. Afonso V nomeia novamente por 3 anos Vasco Gomes, morador em Algodres para o cargo de coudel de Pena Verde, Algodres, Fornos, Figueiró e Fias.

 

 

 

14,69

 

24.4.1466

 

D. Afonso V confirma um instrumento de perfilhamento de Vicente Martins, morador em Soveral, termo da vila de Algodres, perfilhando Gonçalo Martins, ourives, aí morador como seu legítimo herdeiro de todos os seus bens.

 

 

 

16,77

 

15.4.1471

 

D. Afonso V nomeia Domingos Martins, morador nos Cortiço, termo de Algodres, para o cargo de porteiro das sisas régias da vila de Algodres, em substituição de João Martins, que morrera.

 

 

 

16,121

 

20.7.1471

 

D. Afonso V confirma a nomeação de João de Marçana, escudeiro, vassalo régio, morador em Fornos de Cabo d'Algodres, para o cargo de escrivão da câmara, dos orfãos e da almotaçaria de Pena Verde, em substituição de Brás Eanes, que renunciara.

 

 

 

 

 

16,136v

 

2.8.1471

 

D. Afonso V nomeia João Fernandes, filho de João Fernandes, amo de Luís de Cáceres, para o cargo de escrivão das sisas da vila de Algodres de Figueiró, em substituição de Fernando Eanes, que renunciara.

 

 

 

 

 

21,31

 

 12.11.1471

 

D. Afonso V perdoa a justiça régia a Rodrigo Gonçalves, morador no Trancosinho do julgado de Algodres, pelas querelas que dele deram Vasco Eanes, juíz e Gil Eanes, moradores no [Sobral], do dito julgado, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila e cidade de Tânger, bem como mediante o perdão das partes.

 

 

 

21,37v

 

14.11.1471

 

D. Afonso V perdoa a justiça régia Vasco Gomes, escudeiro de Luís de Cáceres, morador no Soveral, termo de Algodres, acusado da morte de Diogo Fernandes, escudeiro, morador em Celorico da Beira, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila e cidade de Tânger, bem como mediante o perdão das partes.

 

 

 

21,62v

 

13.12.1471

 

D. Afonso V perdoa a justiça régia a Brás Eanes, morador no termo da vila de Algodres, acusado de bater e ferir Lopo Vasques, m[ontei]ro do concelho, morador no [Soveral, termo da dita vila], na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila e cidade de Tânger,

 

 

 

30,57v

 

4.10.1475

 

D. Afonso V nomeia vitalíciamente Álvaro Soares, escudeiro régio, para o cargo de coudel em Algodres, Pena, Fornos, Figueiró e Granja, assim que o titular do cargo termine o seu tempo de serviço.

 

 

 

32,164

 

3.7.1480

 

D. Afonso V perdoa a justiça régia a Gonçalo Afonso, morador em Fornos de Algodres, por ter renegado Deus, Santa Maria e os  Santos, tendo pago 700 reais para a Arca da Piedade.

 

 

 

 

 

20,27

 

24.1.1440

 

D. Afonso V doa a Rui de Melo, cavaleiro da Casa do Infante D. Henrique, a Terra de Fornos, situada no almoxarifado de Viseu, com todas as rendas e direitos, execpto as sisas gerais, vinhos e panos de cor, bem como toda a sua jurisdição cível e crime, enquanto sua mercê for, a partir de 1 de Janeiro de 1440.[ii]

 

 

 

27,76

 

15.4.1443

 

D. Afonso V nomeia novamente por cinco anos João de Aguiar, escudeiro do Infante D. Henrique, para o cargo de coudel de Aguiar da Beira, Figueiró da Granja, Fornos e Ansiães[iii].

 

 

 

11,98

 

1.4.1450

 

D. Afonso V doa a Rui de Melo, cavaleiro da casa do Infante D. Henrique, enquanto sua mercê for, a terra de Fornos no almoxarifado de Viseu, com todas as rendas e direitos, jurisdição cível e crime, fora as sisas gerais, vinhos e panos e a correição e alçadas, a partir de 1 de Janeiro de 1450.

 

 

 

34,173v

 

11.11.1450

 

Confirmação da apresentação à igreja de Fornos de Algôdres do bispado de Viseu de [...], em substituição de João Eanes, seu último reitor, que morrera.

 

 

 

11,8

 

7.3.1451

 

D. Afonso V nomeia Gil Gonçalves, morador em Fornos de Algôdres, para o cargo de escrivão da coudelaria do julgado de Algôdres, Fornos, Travanços e seus termos, em substituição de João Gonçalves, morador em Algôdres, que fora destituído do cargo por não cumprir as suas funções.

 

 

 

10,20

 

18.2.1454

 

D. Afonso V concede carta de privilégio aos besteiros do conto de Fornos de Algôdres e seu termo.

 

 

 

8,180

 

 17.10.1464

 

D. Afonso V nomeia novamente Afonso Martins, morador no R[…]mirão, para o cargo de juiz das sisas régias no julgado de Tavares e Fornos.

 

 

 

28,24

 

28.4.1468

 

D. Afonso V nomeia Fernando Eanes, escudeiro régio, morador em Fornos de Algôdres, para o cargo de escrivão das sisas régias de Algôdres e Figueirós, em substituição de Afonso Eanes, que morrera.

 

 

 

28,24

 

30.4.1468

 

D. Afonso V nomeia João Vasques, morador em Fornos, para o cargo de tabelião do crime e cível nos julgados de Algôdres e Figueirós e seus termos, em substituição de Afonso Eanes, que morrera.

 

 

 

28,56

 

 17.6.1468

 

D. Afonso V nomeia Fernando Eanes, escudeiro régio, morador em Fornos, para o cargo de escrivão dos feitos das sisas régias em Algôdres, Figueirós e seus termos, em substituição de Álvaro Eanes, sapateiro, que renunciara.

 

 

 

17,6

 

 3.12.1471

 

D. Afonso V perdoa a justiça régia a Álvaro Fernandes, morador em Fornos, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila e cidade de Tânger e do instrumento público a seu favor feito pelo quereloso Diogo de Barros, escudeiro do marechal.

 

29,250

 

 

 

1.1.1473

 

D. Afonso V confirma nomeação a Gonçalo Gil, criado de Diogo da Silveira, para o cargo de escrivão da Câmara, em substituição de Gil Gonçalves, morador em Fornos de Cabo de Algôdres, seu pai, que renunciara.

 

 

 

29,255v

 

1.1.1473

 

D. Afonso V confirma a eleição feita pelo concelho ade Gonçalo Gil, criado de Diogo da Silveira, morador em Travaços, para o cargo de escrivão dos orfãos, a pedido do concelho de homens bons do dito lugar, em substituição de Gil Gonçalves, morador em Fornos de Cabo de Algôdres, seu pai, que renunciara.

 

 

 

19,107v

 

31.8.1439

 

D. Afonso V confirma ao julgado de Algôdres todos os privilégios, graças e mercês.

 

 

 

28,11v

 

18.4.1468

 

D. Afonso V nomeia Fernão [Maujam], morador em Algôdres, para o cargo de tabelião no julgado da terra de Tavares e de vila Mendo, e seu termo, em substituiçaõ de Gonçalo Afonso, que renunciara.

 

 

 

28,26v

 

27.4.1468

 

D. Afonso V nomeia novamente João Martins, morador em Muxagata, termo de Algôdres, para o cargo de porteiro das sisas régias, em Algôdres e seu termo.

 

 

 

 

 

28,29v

 

12.5.1468

 

D. Afonso V nomeia Álvaro Eanes para o cargo de escrivão dos feitos das sisas régias, em Figueiró da Granja e Algôdres e seus termos, em substituição de Afonso Eanes, que morrera.

 

 

 



Notas:

 

 

 

[i] Relativamente a alguns (poucos) documentos, o teor do resumo não permite ter a certeza absoluta de que se referem a “Terras de Algodres”.

 

[ii] Este documento já tinha sido referido nesta entrada, de 2007-05-02. 

 

[iii] Este documento já tinha sido referido nesta entrada, de 2007-05-02.

 



publicado por algodrense às 19:00
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