História e Património das "Terras de Algodres"
(concelho de Fornos de Algodres)
ed. Nuno Soares
Contacto: algodrense(at)sapo.pt
Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Concurso de fotografia: sedes de concelho do distrito da Guarda

 


A Delegação da Guarda do INATEL organiza anualmente o “Concurso de Fotografia António Correia”, iniciativa com a qual “... pretende fomentar o gosto pela fotografia artística, chamando também a atenção para a realidade social e humana e o património natural e arquitectónico da região”.


 


A edição de 2007 deste concurso tem como tema os “Centros urbanos do distrito da Guarda”, entendendo-se, para o efeito, como “centros urbanos”, as sedes de concelho do distrito da Guarda.


 


O prazo para a entrega dos trabalhos termina no próximo dia 20 de Dezembro.  O Regulamento e demais informações relativas ao concurso estão disponíveis no site do INATEL – Guarda (v. aqui).



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Sábado, 17 de Novembro de 2007
Exposição no Museu de Grão Vasco: “Monumentos de Escrita”

ExpoGraoVasco.jpg


(via Way to blue)



É hoje inaugurada no Museu de Grão Vasco, em Viseu, uma exposição a não perder: “Monumentos de Escrita: 400 Anos da História da Sé e da Cidade de Viseu (1230-1639)”.


 


Informação adicional disponível aqui.



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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
Publicações recentes (4)

Arkeos21.JPG

(via Terras de Algodres  –  v. aqui).



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Terça-feira, 13 de Novembro de 2007
Encontro “Patrimónios a Valorizar” no Castro de Santiago

 

 

Realizou-se no passado sábado, dia 10 de Novembro, o 1º. Encontro “Patrimónios a Valorizar”, promovido pela associação “Terras de Algodres”.

 

  

 

Com este tipo de Encontros, a associação pretende estimular a participação dos associados e demais cidadãos interessados, na preservação e valorização do património cultural do concelho.  Esta primeira iniciativa tinha como objectivo efectuar a limpeza do povoado fortificado calcolítico conhecido como “Castro de Santiago” e proporcionar um momento de convívio entre os participantes.

 

 

 

A participação ficou, porém, bastante aquém da esperada, pelo que só foi possível concretizar a limpeza da muralha principal do povoado, como se relata no blog da associação “Terras de Algodres” (ver  aqui  e  aqui).

 

  

 

LimpezaCastro2007.jpg

 

  

 

(muralha principal do “Castro de Santiago”, após a limpeza de 10-11-2007)

 

 

 

Como acredito que “o caminho faz-se caminhando”, faço votos de que este tenha sido um primeiro passo, no rumo certo: o empenho da “sociedade civil” na defesa de um património que é de todos, mas que é, também, responsabilidade de todos.

 



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Blog da associação “Terras de Algodres”

TA-blog.jpg



 A associação "Terras de Algodres" iniciou ontem a publicação de um blog com o mesmo nome, que se encontra disponível no seguinte endereço:


 


http://terrasalgodres.blogspot.com



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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007
Documentos para a história de Algodres (14)

 

 

Chancelaria de D.João III  -  Perdões

 

 

 

 

O Dr. Pedro Pinto (CEH-UNL) teve a amabilidade de nos enviar mais dois resumos de documentos existentes no IAN/TT – Chancelaria de D. João III, com interesse para a história das Terras de Algodres:

 

 

 

 

 

Chancelaria de D. João III, Perdões, Livro 24, fol. 21v:

 

 

 

Fernando Eanes, morador em Alforninho, termo de Fornos de Algodres, afirma que estando João Gonçalves, morador em Fornos de Algodres, preso na cadeia de Fornos de Algodres por lhe ter fugido um preso quando fora carcereiro, os vereadores do concelho o constrangeram a ele, Fernando Eanes, que guardasse João Gonçalves e outros presos, e estando ele Fernando Eanes dormindo com os outros guardas na casa do concelho, ao outro dia de manhã os outros guardas partiram deixando-o só com o preso João Gonçalves, e ele Fernando Eanes fiando-se de que ele não fugiria por ser homem da terra, desamarrou-o-do esteio, mas ele fugiu. Os parentes e amigos de Fernando Eanes conseguiram capturar o fugitivo, pedindo Fernando Eanes perdão pelo delito, sendo perdoado a 27.2.1553.

 

 

 

 

 

Chancelaria de D. João III, Perdões, Livro 24, fol. 231v

 

 

 

Cristóvão Fernandes, morador em Algodres, foi preso por mandado do Corregedor da comarca da Guarda por se dizer que sendo rendeiro da chancelaria da comarca da correição da Guarda, fez concerto com certas pessoas e trespassou da sua renda, e outros conluios. Foi preso em Celorico e enviado à cadeia de Algodres de onde fugiu pela porta aberta, por ser leve. Sendo pobre, casado e ter filhos e não ter danado ninguém na fuga, pede perdão, que lhe é concedido a 11.3.1555.

 



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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
Algodres no final do séc. XIV: a autonomia municipal em crise

 

 

O Doutor António Matos Reis publicou recentemente uma História dos Municípios [1050 – 1383][i] que constitui uma obra de referência fundamental para a história do municipalismo, desde o período leonês até ao final do reinado de D. Fernando e para o estudo da história local de uma boa parte dos concelhos portugueses. 

 

  

 

 Correspondendo, no essencial, à dissertação de Doutoramento do autor, esta obra teve por base uma extensa análise de fundos documentais, que incluiu a leitura e transcrição de milhares de documentos ainda não publicados, com destaque para parte das chancelarias régias. 

 

Hist-Municipios.JPG 

 

 

(REIS, 2007)

 

 

 

No tocante aos contributos para a história local de cada município, não obstante as naturais descontinuidades e omissões, decorrentes dos objectivos e grau de abrangência da investigação e/ou do universo de fontes utilizadas, a análise da documentação que permanecia inédita veio revelar numerosos dados desconhecidos dos estudos até agora publicados.

 

 

 

Relativamente às “Terras de Algodres”, para além de outros dados inéditos que aqui serão retomados noutra(s) oportunidade(s), afiguram-se de especial interesse as informações sobre as decisões de reorganização dos municípios da região empreendidas ao tempo de D. Fernando.

 

 

 

O reinado de D. Fernando (1367-1383) decorreu sob o signo da profunda crise económica, social e demográfica de finais do séc. XIV, desencadeada por sucessivas epidemias e agravada pelas guerras em que aquele monarca se envolveu.  A política do rei em relação aos municípios, parece ter contribuído também, em geral, para o agravamento dos problemas e das tensões sociais.  Por razões nem sempre claras ou coerentes, proliferaram medidas de redimensionamento, anexação e desanexação de municípios, frequentemente alteradas, ao sabor das conhecidas tergiversações do monarca. Sucederam-se também, com grande prodigalidade, as doações a particulares dos direitos reais sobre municípios, como compensação por serviços prestados ou a prestar, que deram azo a muitos abusos por parte dos donatários e à correspondente revolta das comunidades prejudicadas[ii].

 

 

 

Em 10 de Janeiro de 1370, D. Fernando anexou Algodres ao termo do concelho de Celorico da Beira, juntamente com Tavares, Matança, Ansiães, Fornos e Figueiró[iii].

 

 

 

O autor informa-nos que Tavares recuperou a autonomia logo em 1371, a rogo de Leonor Roiz de Vasconcelos[iv] e que Fornos, Figueiró e Infias (que, pelos vistos, também fora anexado) a recuperaram em 1372[v].  Nada diz sobre Algodres, concelho que, por maioria de razão (dada a sua importância relativa), deveria ter pugnado pelo restabelecimento do seu anterior estatuto.

 

 

 

Efectivamente, Algodres também recuperou a autonomia em 1372. Com o amável auxílio do Dr. Pedro Pinto (do CEH-UNL), foi possível localizar na Chancelaria de D. Fernando a carta régia que assim determinou, datada de 14 de Setembro de 1372[vi].

 

 

 

As duas cartas régias que em 1372 voltaram a desanexar Algodres, Fornos, Figueiró e Infias de Celorico da Beira, foram passadas quase em simultâneo e têm um teor praticamente idêntico[vii].  Em ambas, o rei afirma que os homens bons dos concelhos que tinham sido anexados ao de Celorico da Beira se queixavam dos agravos e abusos que daquele recebiam, designadamente das muitas fintas, talhas e outros encargos que sem razão lhes exigiam, pelo que pediam o restabelecimento da sua autonomia e jurisdição e o respeito pelos privilégios que anteriormente lhes tinham sido concedidos. Face a esses pedidos e à inquirição que sobre os mesmos terá mandado efectuar, D. Fernando determinou que os ditos concelhos voltassem a ser “julgados apartados sobre si”, sendo-lhes restituídas todas as jurisdições e liberdades de que anteriormente gozavam.

 

 

 

 

A autonomia municipal de Algodres e de outros concelhos da região vai, porém, continuar em risco neste final de século, desde logo face à necessidade de, em tempos de crise e de guerra, se procurar reforçar e privilegiar os municípios de maior relevância estratégica e militar.

 

 

 

Assim, em 24 de Março de 1380, Algodres volta a perder a autonomia, sendo anexado, desta vez, ao município de Trancoso[viii].

 

 

 

A evolução subsequente não está devidamente esclarecida. Mas a tendência para a instabilidade do quadro dos municípios da região irá prolongar-se durante a crise dinástica de 1383-1385 e o início do reinado de D. João I, provavelmente pela mesma ordem de razões.

 

 

 

Com base em documentos da Chancelaria de D. João I já anteriormente divulgados neste blog[ix], sabemos que, em Dezembro de 1384, Algodres permanecia ou estava de novo integrado no termo e jurisdição de Trancoso (sendo-lhe, porém, concedido o privilégio de eleger juízes próprios, sujeitos a confirmação pelo concelho de Trancoso, os quais teriam competência para julgar todos os processos de Algodres e seu termo que fossem “de XX libras afundo”)[x] e que em Abril de 1385 foi confirmada a anexação de Infias, Figueiró e Fornos ao termo e jurisdição de Trancoso, que tinha sido outorgada por D. João I enquanto regedor do reino[xi].

 

 

 

O restabelecimento da plena autonomia municipal de Algodres (e possivelmente dos restantes concelhos que existiam nas Terras de Algodres) parece ter ocorrido ainda no reinado de D. João I.

 

 

 

Em 16 de Janeiro de 1391, uma carta régia confirmou e outorgou ao concelho e homens bons de Algodres “todos seus privilégios foros liberdades e bons costumes de que sempre usaram”[xii].

 

 

 

Em 25 de Dezembro de 1433, D. Duarte confirma novamente os privilégios, foros, liberdades e bons costumes de Algodres (e, por carta da mesma data, também os de Fornos)[xiii].

 

 

 

Passada a crise do final do séc. XIV, a autonomia municipal de Algodres, Fornos de Algodres, Figueiró da Granja, Matança e Infias parece consolidada na documentação conhecida e é atestada pelos respectivos pelourinhos quinhentistas.  Assim terá permanecido até à reorganização dos municípios em 1836-37.

 

 

 

Bibliografia e abreviaturas:  v. entradas de 2005-05-09.

 

 



Notas:

 

 

 

[i] REIS, 2007.

 

[ii] Cf. REIS, 2007, pp. 174-191 e 424.

 

[iii] Chancelaria de D. Fernando, Liv. I, fl. 50; cf. REIS, 2007, pp. 178 e 277.

 

[iv] Chancelaria de D. Fernando, Livro I, fl. 82vº; cf. REIS, 2007, pp. 177 e 277.

 

[v] Chancelaria de D. Fernando, Liv. I, fl. 112; cf. REIS, 2007, pp. 175 e 277. Matança tinha sido entretanto integrado, em 10 de Maio de 1370, no município de Trancoso, anulando a anterior anexação a Celorico – cf. REIS, 2007, pp. 178 e 276.

 

[vi] Chancelaria de D. Fernando, Livro I, fl. 111vº-112.

 

[vii] A carta referente a Fornos, Figueiró e Infias, afirma ter sido dada em Coimbra em 11 de Setembro de 1372; a carta referente a Algodres, regista ter sido dada em Mogafores, em 14 de Setembro de 1372. Agradeço ao Dr. Pedro Pinto ter-me facultado o teor destes documentos.

 

[viii] Chancelaria de D. Fernando, Liv. II, fl. 58vº; cf. REIS, 2007, pp. 179 e 276.

 

[ix] V. a entrada “Documentos para a história de Algodres (4)”, de 2007-01-31.

 

 

 

 

[x] Cf. Chancelaria de D. João I, Livro I, fol. 68, publicado em Chancelarias Portuguesas. D. João I. Volume I, Tomo I, Lisboa, Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, 2004, p. 260.

 

[xi] Cf. Chancelaria de D. João I, Livro I, fol. 155, publicado em Chancelarias Portuguesas. D. João I. Volume I, Tomo 3, Lisboa, Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, 2005, p. 51.

 

[xii] Cf. Chancelaria de D. João I, Livro II, fol. 52, publicada em Chancelarias Portuguesas. D. João I. Volume II, Tomo 1, Lisboa, Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, 2005, p. 247.

 

[xiii] Cf. Chancelaria de D. Duarte, Livro I, fol. 55, publicadas em Chancelarias Portuguesas. D. Duarte. Volume I, Tomo I, Lisboa, Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, 1998, p. 197.

 



publicado por algodrense às 02:20
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