História e Património das "Terras de Algodres"
(concelho de Fornos de Algodres)
ed. Nuno Soares
Contacto: algodrense(at)sapo.pt
Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007
Algodres - História e Património (1)

  

 

 

 

- uma síntese para o visitante -

 

 

 

(em actualização)[i]

 

  

 

Pelourinho.jpg

 

(Pelourinho de Algodres  -  Agosto de 2001)

 

 

 

As “Terras de Algodres” (concelho de Fornos de Algodres) são conhecidas pelo seu rico património arqueológico, arquitectónico e artístico, que será seguramente um dos motores do desenvolvimento sustentável deste concelho do interior beirão.  A exposição permanente do CIHAFA e um roteiro arqueológico implantado no terreno, permitem ao visitante conhecer a evolução do povoamento da região, desde o Neolítico até à actualidade, passando por sítios tão emblemáticos como as antas da Matança e de Cortiçô, o “Castro de Santiago”, a “Fraga da Pena”, o “Castelo de Queiriz”, as necrópoles medievais das Forcadas e de Vila Ruiva e muitos outros que estão devidamente referenciados e assinalados[ii].

 

 

 

 

 

No centro do concelho, numa localização privilegiada, com ampla vista sobre o vale do Mondego e os contrafortes da Serra da Estrela, encontra-se a aldeia de Algodres, que desde tempos imemoriais dá o nome a toda a região.

 

 

 

 

 

Algodres continua incompreensivelmente a aguardar que lhe seja reconhecido o merecido estatuto de “aldeia histórica”, que seria de capital importância para o desenvolvimento local e para a preservação da identidade e do património cultural multissecular que conserva.

 

 

 

Dos aspectos mais relevantes da sua história e património, apresentamos seguidamente uma breve síntese, destinada ao visitante interessado e à crítica dos que a queiram corrigir ou melhorar, desde logo por correspondência enviada a este blog.

 

  

 

VistaGeral1JPG.jpg

 

(Vista geral de Algodres  -  Agosto de 2001)

 

 

 

O topónimo Algodres, hoje de obscuro sentido, certifica a antiguidade do povoamento.  Segundo a interpretação mais plausível, de José Pedro Machado[iii], terá origem árabe, derivando de “al godor”, plural de “gadir”, palavra que significa lagoa ou ribeiro. E cursos de água não faltam no planalto de Algodres, chamando-se ainda hoje “Alagoas” uma das bolsas de terras mais férteis e irrigadas da freguesia.

 

 

 

 

 

A primeira ocupação do território da actual freguesia remontará ao Neolítico inicial. Na “Quinta da Assentada”, situada a meio da vertente da “Barroca”, junto do limite das freguesias de Algodres e Infias, foi recentemente escavado um sítio de habitat aberto, desse período, que revelou ainda uma ocupação posterior, enquadrável num momento final do Calcolítico (e vestígios de uma eventual revisitação na Idade do Bronze).  Também na “Quinta do Inferno”, situada cerca de 250 metros acima, foram recolhidos, à superfície, materiais arqueológicos pré-históricos[iv].

 

 

 

No núcleo histórico da aldeia, os vestígios mais antigos encontrados datam da época romana.  Alguns achados estão expostos no CIHAFA, com destaque para uma ara anepígrafa[v]. Em escavações realizadas na Praça de Algodres e ruas adjacentes, dirigidas pela arqueóloga Alexandra Soares (Maio de 2000 – Janeiro de 2001), foram encontrados diversos materiais atribuíveis a essa época, designadamente restos de estruturas, tegullae, sigillatas hispânicas tardias, cerâmica comum e diversas moedas do século IV[vi]As escavações foram retomadas em 2006 e 2007, sob direcção da arqueóloga Marina Pinto. Embora ainda não tenham sido publicados os respectivos resultados, foi divulgada uma informação referindo o achado de uma moeda do século IV e dando conta de que “...contextos arqueológicos do período alto imperial (séculos IV-V) se encontram preservados sob a necrópole medieval”. No lugar do Furtado, na capela de S. Clemente, existe ainda uma ara votiva, do séc. III ou posterior, dedicada a uma divindade indígena[vii].

 

 

 

 

 

Para os períodos imediatamente posteriores, a informação disponível é quase nula.  O topónimo Algodres, parece indiciar que a povoação existiria durante o domínio muçulmano e que essa ocupação teve continuidade.  Mas só se conhecem novos vestígios materiais de povoamento a partir da época da Reconquista.

 

 

 

Nas escavações de 2000 - 2001, foi intervencionada uma extensa necrópole, com um primeiro momento de utilização provisoriamente enquadrado pela responsável entre os séculos X – XIII[viii]. Julgamos que os sarcófagos não antropomórficos encontrados junto à Igreja Matriz (um dos quais se encontra reutilizado nas fundações da parede Sul do templo), a não serem mais antigos, serão também enquadráveis neste período (séculos IX – XI ?).  Uma informação disponibilizada sobre as escavações realizadas em 2006 - 2007, também referia que os trabalhos “... estão a pôr a descoberto o que resta de um cemitério local de cronologias que se estenderão provavelmente desde a Alta Idade Média até ao século XIV.  Até ao momento foram escavados 27 ossários e cerca de 92 esqueletos retirados de sepulturas escavadas no substrato rochoso”.

 

  

 

 

 

 

Igreja Matriz.jpg

 

(Igreja Matriz de Algodres  -  postal s/d  -  ed. Paróquia de Algodres)

 

 

 

Desde o século XII, Algodres aparece como vila e cabeça de um vasto concelho, que englobava no seu termo as actuais freguesias de Algodres, Casal Vasco, Ramirão, Cortiçô, Vila Chã, Muxagata, Maceira, Sobral Pichorro e Fuínhas.  Exercia também, em alguns domínios, supremacia administrativa sobre os vizinhos concelhos de Fornos, Infias, Matança e  Figueiró da Granja[ix].

 

 

 

As Inquirições de D. Afonso III (de 1258)[x] documentam que a “terra” de Algodres recebeu de “Donnus S. Menendi” uma carta de povoação, em data que não se indica, mas que será anterior a 1169. Nesse ano, o primeiro foral de Linhares, dado por D. Afonso Henriques, já delimitava o termo daquele concelho, por reporte ao de Algodres, da seguinte forma: “os vossos termos são estes: (...) e da terceira parte, como parte pelo Mondego com Algodres”[xi]. 

 

 

 

No reinado de D. Sancho I, a importância regional do concelho de Algodres é realçada  pelas crónicas que relatam a participação dos seus homens de armas, juntamente com os de Celorico, Linhares, Trancoso e Guarda, numa batalha travada com as tropas de Afonso IX, rei de Leão, que tinham invadido a Beira[xii].

 

 

 

Ainda segundo as  Inquirições de 1258, D. Sancho II alterou os foros fixados na primitiva carta de D. Soeiro Mendes, convertendo-os em prestações monetárias.

 

 

 

Posteriormente, D. Dinis (em 1311) e D. Manuel I (em 1514) deram novos forais ao concelho[xiii].

 

 

  

 

Na crise do final do século XIV, esteve em risco a autonomia municipal de vários concelhos da região, incluindo o de Algodres.  Embora tenha chegado a ser integrado, por curtos períodos, no termo de Celorico da Beira e posteriormente no de Trancoso, o concelho de Algodres não tardou a ser restituído ao seu antigo estatuto, que conservou até ao século XIX. 

 

  

 

Pelo menos a partir do século XIV, os direitos reais sobre Algodres foram objecto de sucessivas doações, ainda pouco estudadas[xiv].  A que terá tido maior continuidade e que perdurou na memória local, teve como beneficiária a casa dos Condes de Linhares. Na primeira metade do século XVI, o senhorio de Algodres foi concedido a D. António de Noronha,  Escrivão da Puridade dos reis D. Manuel I e D. João III,  que veio a ser agraciado com o título de Conde de Linhares. Após a Restauração de 1640, tendo o 4º. Conde de Linhares permanecido fiel ao rei de Espanha, o senhorio de Algodres reverteu para a Coroa, tendo sido posteriormente atribuído à Casa do Infantado, por doação régia de 21 de Abril de 1698.

 

 

 

Em Setembro de 1810, a 3a. Invasão Francesa passou pelo concelho, tendo deixado em Algodres um rasto de grande violência, de que dá testemunho um relato então lavrado pelo Vigário de Algodres, que refere a prática de roubos, agressões, incêndio de casas, profanação das igrejas, violações e diversos homicídios[xv].

 

 

 

Na sequência da “Revolução de Setembro”, a reorganização dos municípios, aprovada por Decreto de 6 de Novembro de 1836 (confirmada pelo Código Administrativo de Dezembro do mesmo ano), extinguiu centenas de concelhos em todo o reino. Foi então criado um concelho “d’ Algodres”, aí sedeado, que integrava os antigos concelhos de Algodres, Fornos, Figueiró da Granja, Matança, Infias, Casal do Monte e Penaverde. 

 

 

 

Decorridos poucos meses, o referido Decreto foi alterado por Decreto de 10 de Junho de 1837 (sancionado pela Lei de 12 de Junho do mesmo ano, publicada no Diário do Governo, nº 141, de 1837-06-17), que determinou, no seu parágrafo 12º., a passagem da sede do concelho para a vila de Fornos de Algodres e a desanexação das freguesias de Dornelas, Forninhos e Penaverde (do extinto concelho de Penaverde), que transitaram para o concelho de Aguiar da Beira (permaneceu a freguesia de Queiriz, que também pertencera a Penaverde)[xvi][xvii][xviii].

 

 

 

Passou então Algodres à sua condição actual, de sede de freguesia.

 

 

 

Como a história não se apaga, o protagonismo que teve na região - desde tempos em que ainda não havia o nome Portugal - permanece na designação pela qual são conhecidas estas “Terras de Algodres”.

 

 

 

Bibliografia e abreviaturas:  v. entradas de 2005-05-09.

 

- Continua -

 

 

 


Notas:

 

 

 

[i] Este texto corresponde a uma ligeira actualização de uma das primeiras entradas deste blog, aqui publicada em 2005-05-19.  Não pretende ser uma monografia (ou o esboço dela), mas apenas uma pequena síntese, especialmente destinada aos visitantes menos familiarizados com a história e o património cultural de Algodres.  Como tal, irá sendo actualizado quando a ocasião se proporcionar e passará a integrar a lista de links do blog (na secção “Neste Blog”).  Desde já agradecemos todos os comentários que possam ajudar a melhorá-lo.

 

Por razões de espaço disponível no servidor, o texto vai ser publicado em duas entradas sucessivas. 

 

[ii] V.: VALERA, 1993; CIHAFA, 2005 ou as informações disponíveis no site da CMFA (designadamente aqui, aqui, aqui e aqui). 

 

[iii] Cf. MACHADO, 2003, vol. I, p. 97; V. também esta entrada, versando a origem do topónimo. 

 

[iv] Cf.: VALERA, 2002-2003; VALERA, 2003; VALERA, 2006a, pp. 249 – 274 e 290 e VALERA, 2007, pp. 297-332 e p. 342.

 

[v] Cf. GOMES, 1988.

 

[vi] Cf.: SOARES e CARDOSO, 2003; SOARES e CARDOSO, s/d.

 

[vii] Cf. CURADO, 1986 e ALARCÃO, 1989, p. 309.

 

[viii] Cf. SOARES e CARDOSO, s/d.

 

[ix] Cf. MARQUES, 1938, pp. 15-17.  Figueiró da Granja chegou a integrar o termo de Algodres, como se vê nas Inquirições  de D. Afonso III (cf. PMH-INQ, p. 791).

 

[x] Cf.: PMH-INQ;  ANÓNIMO s/d b.

 

[xi] Cf. MOREIRA, 1980, pp. 48-55.

 

[xii] Cf.: RODRIGUES, 1979, pp. 64-69; MARQUES, 1938, pp. 190-191.

 

[xiii] Cf. MARQUES, 1938, pp. 286-287.

 

[xiv] Algumas das quais estão referidas em entradas publicadas neste blog (designadamente aqui, aqui, aqui e aqui). 

 

[xv] Cf. MARQUES, 1938, pp. 196-199.

 

[xvi] Pelo seu interesse, transcreve-se o teor da disposição:  “A Cabeça do Concelho d’ Algodres, no Districto Administrativo da Guarda, passará para a Villa de Forno d’ Algodres, e as Freguezias de Dornellas, Forninhos, e Penna-Verde, que formavam o antigo Concelho de Penna-Verde serão desannexadas do referido Concelho d’ Algodres, e reunidas aos d’ Aguiar da Beira da Comarca de Trancoso”  (cf. Collecção de Leis e ..., 1837, pp. 328-329  -  Albino Cardoso teve a gentileza de nos fazer chegar uma cópia desta publicação, que lhe tinha sido enviada pelo Dr. Pedro Pina Nóbrega). 

 

[xvii] Os limites administrativos do actual concelho de Fornos de Algodres ficaram consolidados em 1898, com a integração das freguesias de Juncais e Vila Ruiva (por Decreto de 13 de Janeiro  -  cf. MARQUES, 1938, pp. 311-312). 

 

[xviii] Sobre a extinção dos antigos concelhos e a criação do actual município, v., em especial, MARQUES, 1938, pp. 95-99 e as entradas publicadas aqui e aqui.

 


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publicado por algodrense às 23:59
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5 comentários:
De Nuno Soares a 10 de Janeiro de 2008 às 20:04
Esta entrada foi actualizada em 2008-01-10.


De Nuno Soares a 12 de Agosto de 2007 às 19:05
Tem toda a razão, amigo Albino. O conceito de "aldeia histórica" tem-se revelado muito "elástico"...
Aproveito para lhe deixar, tanbém aqui, um forte abraço de parabéns pelo segundo aniversário do seu blog: http://dalgodres.blogspot.com


De al cardoso a 12 de Agosto de 2007 às 10:02
Voltando atras queria comentar um seu desabafo; de facto e incompreensivel que um programa iniciado com o intuito de valorizar e divulgar as "aldeias historicas", tenha sido desvirtuado e terem atribuido esse titulo e as verbas que dele adveem, a uma cidade e a uma vila!

Um abraco dos "states" para um "algodrense" de coracao.


De Nuno Soares a 10 de Agosto de 2007 às 12:14
Caro Albino: muito obrigado pela visita e pelas suas palavras. Tenho vindo a acompanhar com o maior interesse, como sempre, os seus “posts”; só não tenho deixado comentários por absoluta falta de tempo. Também vi ontem, no site da CMFA, a notícia sobre o lançamento do livro a que o meu amigo se refere (“Fornos de Algodres a nossa terra”), mas não sei mais nada a esse respeito. Presumo que a colaboração que a ficha técnica me atribui resulte da inclusão de texto(s) anteriormente publicado(s) noutros locais. Com a amizade de sempre, envio-lhe, de Lisboa para os “States”, um grande abraço,


De al cardoso a 10 de Agosto de 2007 às 08:25
Excelente e bem documentada sintese. Bem haja pelas referencias que me faz.
Creio que ja tera reparado, que comecaram a sair alguns "posts" sobre as minhas ultimas "descobertas"!
Tambem tive conhecimento da sua colaboracao numa ultima publicacao municipal, parabens e bem haja. Foi pena nao ter tido conhecimeto dessa publicacao enquanto por ai andei, a ver se a consigo pelo correio.
Um abraco de muita amizade.


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