História e Património das "Terras de Algodres"
(concelho de Fornos de Algodres)
ed. Nuno Soares
Contacto: algodrense(at)sapo.pt
Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007
Tesouros da Misericórdia de Algodres: (2) o “quadro da sacristia”

 

 

No acervo artístico da Igreja da Misericórdia de Algodres, destaca-se um grande quadro, composto por cinco painéis, pintados sobre madeira. A  qualidade das pinturas que o integram foi há muito salientada por Mons. Pinheiro Marques e também não escapou aos autores do Guia de Portugal e dos Tesouros Artísticos de Portugal.[i] 

 

 

 

Poliptico.JPG 

 

Presentemente, encontra-se exposto numa parede lateral da capela-mor, no lado do Evangelho.  Até finais dos anos setenta do século passado, esteve colocado na sacristia, sobre um arcaz e encostado a um afloramento granítico ao qual a construção foi adossada[ii]

 

 Estruturado como um retábulo, é constituído por “...um tríptico com pintura sobre madeira, representando, ao centro, Nossa Senhora da Misericórdia e nos volantes a Visitação e a Anunciação, com caixilhos de madeira, surgindo, na predela, uma “Ultima Ceia”; o conjunto é rematado por tabela com a representação de Deus Pai, flanqueado por colunas jónicas e aletas, rematado por cornija e por um Crucificado.”[iii].

 

 Esta iconografia é muito característica de obras encomendadas por / para Misericórdias.

 

 A figura de Nossa Senhora da Misericórdia é, naturalmente, um tema sempre presente nestes contextos, enquanto símbolo emblemático da instituição. Com raízes em devoções e representações anteriores, como a Virgem do Manto, a Senhora da Misericórdia apresenta a Virgem como Mater Omnia, protectora e intercessora de toda a cristandade[iv].  Nesta representação, a Virgem abriga, sob o seu manto azul, aberto e sustentado por anjos alados, representantes das várias classes sociais, que a adoram e são acolhidos sob a sua protecção. Nas Misericórdias portuguesas, a iconografia da Senhora da Misericórdia foi sendo padronizada, representando-se, em regra, do lado da sua mão direita figuras do clero (papa, cardeal, bispo, membros de ordens religiosas, ...), do lado da sua mão esquerda os poderes seculares (rei, rainha, nobres, ...) e outras figuras laicas e, por vezes, a seus pés, os mais desprotegidos (crianças, aleijados, miseráveis, ...)[v]. 

 

 Este programa teve uma tradução muito limitada no painel de Nossa Senhora da Misericórdia do tríptico de Algodres, o que poderá ser atribuído a constrangimentos decorrentes das dimensões do suporte e/ou a motivações subjacentes à encomenda ou a um carácter local da obra.

 

 

 

Poliptico2.JPG

 

(Painel de Nª. Srª. da Misericórdia)

 

 A Virgem da Misericórdia está também representada no anverso da bandeira da Misericórdia de Algodres[vi], que tem, no reverso, a representação de Nossa Senhora da Piedade, como era habitual[vii]. 

 

 

 

BandeiraFrente.JPG BandeiraVerso.JPG

 

(Bandeira da Misericórdia de Algodres)

 

 As cenas representando a “Visitação” e a “Anunciação” são também frequentes na iconografia associada às Misericórdias, por se relacionarem com episódios que evocam actos de misericórdia. Pela misericórdia divina, S. Isabel, já idosa, gera um filho tardio (S. João Baptista). Durante a sua gestação, um anjo anuncia a Maria que irá dar à luz o Filho de Deus e, pouco depois da Anunciação, a Virgem visita S. Isabel, o que também é entendido como um acto de misericórdia.  Por isso, o dia 2 de Julho, Festa da Visitação, era simultaneamente o dia de festa das Misericórdias[viii]. 

 

 

 

Visitacao.JPG          Anunciacao.JPG

 

(Painéis da Visitação e da Anunciação) 

 

Sabendo-se do protagonismo que as Misericórdias em geral – e a de Algodres em particular – assumiram na celebração dos rituais da Semana Santa[ix], também se compreende facilmente a inclusão de uma representação da “Última Ceia” na predela deste conjunto pictórico, cuja filiação nos modelos iconográficos das produções destinadas a Misericórdias resulta por demais evidente.

 

 É assim bastante provável que este quadro tenha sido encomendado propositadamente para a Misericórdia de Algodres.  O seu autor ainda é desconhecido (tanto quanto julgo saber).  A feitura da obra é geralmente situada no século XVII[x].

 

 Sendo notável, essencialmente, pela qualidade artística, o “quadro da sacristia” veio entretanto a alcançar uma notoriedade inusitada, por força de uma tese que relaciona o painel de Nossa Senhora da Misericórdia com a vida de Camões.

 

 

 

O retrato de Violante?[xi]

 

 

 

O Prof. José Hermano Saraiva defendeu, na Vida ignorada de Camões[xii] e nos seus programas televisivos[xiii], que a figura feminina, representada do lado da mão esquerda de Nossa Senhora da Misericórdia, corresponde ao retrato de D. Violante de Andrade, a “estouvada” mulher do 2º. Conde de Linhares, D. Francisco de Noronha.  Segundo este autor, D. Violante terá sido a grande paixão de Camões, com influência decisiva na vida e na obra do poeta. 

 

 

 

Poliptico3.JPG

 

(Pormenor do painel de Nª. Srª. da Misericórdia) 

 

A tese é apresentada da seguinte forma[xiv]:

 

“Num retábulo que se encontrava em Agosto de 1977 numa arrecadação contínua à capela da Misericórdia de Algodres há o que penso ser um retrato de Violante.  O quadro, de boa pintura dos meados do século XVI, tem os ofertantes, mulher e marido, joelhados do lado direito do painel central. A cabeleira é loura, presa com um trançado, as sobrancelhas são finas e pretas, os olhos grandes, luminosos.  Quem podiam ser os ofertantes?  O proprietário da vila era D. António de Noronha, que morreu em 1551, com 87 anos; o fidalgo representado no quadro é muito mais novo.  Os novos senhores foram D. Francisco e Violante; e D. Francisco era homem para quem as Misericórdias eram instituições muito do seu agrado, visto ter sido por duas vezes eleito provedor da Misericórdia de Lisboa.”. 

 

Esta atraente teoria ignora ou despreza, contudo, alguns dados incontornáveis, pelo que foi desde logo questionada pelo então pároco de Algodres, Pe. Luís Ferreira de Lemos, nos seguintes termos[xv]:

 

“----- A misericórdia foi fundada em 1621. 47 anos após a morte de D. Francisco.

 

----- Era já senhores de Algodres D. Miguel de Noronha, primo em segundo grau de D. Fernando de Noronha, filho e sucessor de D. Francisco.

 

----- Embora senhores de Algodres, os condes não figuram nem entre os fundadores nem entre os benfeitores da Misericórdia.

 

----- Fundação não significa automáticamente igreja construída para albergar o quadro.

 

----- Iriam retratar pessoas que nada interferiram naquela fundação e já desaparecidas, há quasi meio século?

 

... A menos que o quadro não tivesse sido feito para ali ... – o que não parece crível.

 

---- E a pintura será do século de quinhentos?...”. 

 

Creio que o Pe. Luís de Lemos tem razão. 

 

 D. Francisco de Noronha faleceu em 1573[xvi].  D. Violante em 1605[xvii].  Está documentado que a Misericórdia de Algodres foi fundada apenas em 1621 e canonicamente instituída em 1622[xviii], sendo a sua Igreja construída nas décadas posteriores.  Entre os fundadores da Misericórdia e benfeitores que os documentos conhecidos registam não há qualquer referência aos 2ºs. Condes de Linhares ou aos seus sucessores[xix].  O mesmo acontece, aliás, com a Misericórdia de Linhares, que terá sido fundada em 1576[xx]. 

 

 Assim, contrariamente ao que alvitra o Prof. José Hermano Saraiva, nada liga os 2ºs. Condes de Linhares à Misericórdia de Algodres, sendo ambos já falecidos quando a mesma foi fundada, o que infirma os pressupostos da sua tese.  A menos que se admita que o quadro não foi encomendado para esta Misericórdia, tendo sido pintado décadas atrás e ofertado posteriormente à instituição.  Mas, também para essa hipótese não são conhecidos quaisquer indícios que permitam relacionar a pintura com os 2ºs. Condes de Linhares, nem J. H. Saraiva o invoca.

 

 Por este conjunto de razões[xxi], a tentativa de identificação de D. Violante de Andrade, na tábua da Misericórdia de Algodres, parece carecer, liminarmente, de fundamento, pelo menos à luz dos dados e documentos até agora divulgados.  A menos que se perfilhe a conhecida máxima - geralmente atribuída a William Randolph Hearst – “não deixe que a verdade estrague uma boa história”.

 

 Porém, no vol. 6 das suas Memórias, publicado em 21 de Julho de 2007, o Prof. José Hermano Saraiva, sem contraditar as objecções acima referidas ou apresentar quaisquer dados novos, veio retomar a tese que tem defendido, num enunciado ainda mais ousado[xxii]:

 

“Era então costume (estou a referir-me ao século XVI) os fidalgos fundadores de Misericórdias ou outras instituições piedosas ofertarem obras de arte nas quais eles próprios estavam representados.  Eu andava então literalmente apaixonado por Violante de Andrade, por quem Camões, jovem pagem, se perdeu:  como seria a mulher que inspirou os mais belos versos líricos portugueses?  Só o saberia se encontrasse pintado o retrato de D. Violante.  Seria isso possível?

 

 

 

Ao fim de muitas pesquisas, apurei que D. Francisco de Noronha fundara duas Misericórdias:  a de Linhares e a de Algodres.  Fui lá, e em ambas estava o retrato da amante de Camões com o marido, o fidalgo de barba já branca que se encontra junto dela.

 

Em Linhares estão pintados na bandeira da Misericórdia.  Em Algodres, a Misericórdia extinguiu-se mas o belo retábulo estava recolhido num palheiro de telha vã, exposto às degradações do tempo e à cupidez de latrocínios e antiquários.”. 

 

Para não referir outras questões de pormenor[xxiii], limito-me a constatar que, ao afirmar que D. Francisco de Noronha foi fundador da Misericórdia de Algodres,  o autor insiste num evidente anacronismo, no qual baseia todo o seu raciocínio[xxiv].

 

 

 

O restauro do quadro

 

 

Em 1938, Mons. Pinheiro Marques registava que a Igreja da Misericórdia se encontrava bastante abandonada e encerrada ao culto e alertava para o estado de deterioração do quadro da sacristia e para a necessidade de o mesmo ser protegido e restaurado[xxv]:

 

“Na Sacristia está, bastante deteriorado e expôsto à humidade e intempéries, um grande e magnífico painel, poliptico, por certo de bom autor. Representa no centro N.ª S.ª da Misericórdia, à esquerda a Visitação, à direita Santa Ana e na base a Ceia do Senhor.

 

Creio que esta magnífica peça de arte tem muito valor pela belesa e expressão das figuras, perfeição do desenho e maciesa das tintas, e, em meu parecer, bem merecia ser retirada do logar em que se encontra, (encostada a um enorme penedo donde escorre a chuva) e, depois de restaurado, ser colocado em local mais apropriado.”. 

 

Quatro décadas volvidas, o quadro continuava no mesmo local, vulnerável às infiltrações de águas pluviais (que acabaram por destruir também o arcaz em que assentava) e cada vez mais degradado. 

 

 

 

PenedoSacristia.JPG

 

(Vista parcial do penedo da sacristia, em Dez. 2005) 

 

Valeu-lhe então a notoriedade alcançada através da teoria defendida por J. H. Saraiva e o empenho pessoal do mediático historiador. Após algumas peripécias, foi recolhido para restauro no prestigiado Instituto de José de Figueiredo[xxvi] (posteriormente IPCR, actualmente integrado no IMC).

 

 De acordo com a informação que pude obter do IPCR[xxvii], o quadro é constituído por painéis pintados a óleo sobre madeira de castanho, que se encontravam em geral bastante danificados e com muitas falhas, devido à má qualidade dos suportes e à humidade a que estiveram expostos. Genericamente, os trabalhos realizados no IJF / IPCR consistiram na desinfestação, reparação dos suportes / consolidação de fendas, remoção de alguns repintes e restauro da camada cromática.

 

 No final do século passado, foram enfim efectuadas algumas obras de recuperação da Igreja da Misericórdia, que criaram condições para o regresso do quadro, já restaurado, a Algodres e ao templo a que pertence.

 

 Assim se preservou este testemunho maior do património artístico das Terras de Algodres.

 

 Os algodrenses recordarão que tal se ficou a dever, em muito, ao Prof. José Hermano Saraiva, por mais fantasiosa que se afigure a sua tese sobre o retrato de Violante de Andrade[xxviii].

 

 

 

Bibliografia e abreviaturas:  v. entradas de 2005-05-09.

 

 
 


 

Notas:

 

 

 

[i] Cf. MARQUES, 1938, p. 294; DIONÍSIO, 1985, p. 846-847 e ALMEIDA, 1976, p. 75.

 

[ii] Razão pela qual algumas publicações o localizam na sacristia, ou se lhe referem como “o quadro da sacristia” (LEMOS, s/d a).

 

[iii] CONCEIÇÃO 1992b  e  FIGUEIREDO 2006.  Neste trabalho, na versão de 2006, afirma-se que o quadro “constituía o primitivo retábulo, datado do início do século 17”, que teria antecedido o actual retábulo-mor joanino, mas não se explicitam os fundamentos dessa asserção.

 

[iv] Cf. CAETANO, 1998 ou  SERRÃO, 1998.

 

[v] Esta representação iconográfica acabou por ter uma consagração oficial, no referente às bandeiras das Misericórdias. Na sequência de reclamação dos frades trinos, que queriam Frei Miguel de Contreiras retratado nas bandeiras da Misericórdia de Lisboa (e identificado pelas letras F.M.I. – Frei Miguel Instituidor), a mesa da Santa Casa proferiu em 1574 um assento nesse sentido e, em 1576, um novo assento estabeleceu, pormenorizadamente, a representação da Virgem da Misericórdia nas bandeiras da instituição: “... determinamos que no pintar das bandeiras, esteja de uma parte a imagem de Christo nosso Redemptor e da outra a SS. Virgem, Mãe da Misericórdia. Á sua mão direita um papa, um cardeal e um bispo, como cabeça da Egreja militante, e um religioso da SS. Trindade, grave, velho e macilento, de joelhos e mãos levantadas, com estas letras F.M.I. que querem dizer Frei Miguel Instituidor; e da parte esquerda da mesma Senhora um rei e uma rainha, em memória do inclito rei D. Manuel e da rainha D. Leonor, como primeiros irmãos d’esta Irmandade; mais dois velhos graves e devotos, companheiros do venerável instituidor, e aos pés da Senhora algumas figuras de miseraveis que representam os pobres”.  Em 1627, um alvará régio de Filipe III (II de Portugal), determinou que as  “bandeiras de todas as Misericordias d’estes reinos se conformem com as d’esta cidade de Lisboa...” – v. CAETANO, 1998, p. 76.  Cf. também SERRÃO, 1998, p. 139.

 

[vi] Esta bandeira carece de um profundo restauro ou de ser guardada e substituída, dado que as pinturas estão fortemente degradadas pela exposição ao sol e são hoje quase invisíveis.

 

[vii] Cf. SERRÃO, 1998, p. 139.

 

[viii] Cf. SÁ, 1998, pp. 44-45 e SERRÃO, 1998, pp. 138-139.

 

[ix] Cf. referido na primeira entrada desta série, relativa à imagem do “Senhor da Cama”. 

 

[x] Cf. ALMEIDA, 1976, p. 75; CONCEIÇÃO 1992b  e  FIGUEIREDO 2006; no mesmo sentido se pronuncia o IPCR, na informação constante do ofício de 2002-04-18, cit. na nota XXVII, infra.

 

[xi] Sigo aqui de perto uma mensagem que enviei em Março de 2004 ao “O Blog do Alex”, ali publicada como post n. 676. 

 

[xii] SARAIVA, 1994.

 

[xiii] O último dos quais terá sido o episódio da série A Alma e a Gente intitulado “E afinal, quem era Costa Cabral?”, emitido pela primeira vez na RTP em 2003-06-07 e editado em VHS na col. “Os vídeos RTP” (dos programas anteriores, infelizmente não tenho registo).

 

[xiv] Cf. SARAIVA, 1994, p. 149.

 

[xv] Cf. LEMOS, s/d a.

 

[xvi] Cf. SARAIVA, 1994 p. 421.

 

[xvii] Cf. SARAIVA, 1994 p. 439.

 

[xviii] Cf. MARQUES, 1938, p. 294, que cita  José Osório da Gama e Castro, Diocese e Distrito da Guarda, 1902, p. 129.  Na “Memória Paroquial” de 1758 (disponível em TT OnLine com a ref.: PT-TT-MPRQ/2/61), afirma-se, diversamente, que a Misericórdia foi instituída em 1615 (resposta ao quesito 12). 

 

[xix] Cf. MARQUES, 1938, p. 294, que cita  José Osório da Gama e Castro, Diocese e Distrito da Guarda, 1902, p. 129.

 

[xx] Cf. RODRIGUES, 1979, p. 81.

 

[xxi] Outras considerações poderiam ser convocadas para uma análise mais aprofundada da hipótese apresentada por J. H. Saraiva. Estando prejudicadas, a priori, pelas razões cronológicas apontadas, referirei, sumariamente, apenas o seguinte:  O destaque dado à representação do casal de fidalgos na tábua em apreço (com algum desvio da iconografia mais habitual: rei, rainha, ...), parece compatível com a possibilidade de se tratar de retratos de encomendadores / ofertantes da obra. Em todo o caso, deve ter-se presente que, no tocante às pinturas destinadas a Misericórdias, essa representação retratística terá sido marcadamente excepcional, dominando as representações simbolizando tipos sociais (cf. CAETANO, 1998, pp. 73 e 75;  SERRÃO, 1998, p. 136). Por outro lado, os hipotéticos retratos não aparentam, a meu ver, a diferença de idades que então existiria entre D. Francisco e D. Violante (cerca de 18 anos). A pretensa D. Violante também não apresenta o cabelo louro com que J. H. Saraiva a imagina, pelo menos após o restauro do quadro (não disponho de imagens anteriores). Talvez por isso, J. H. Saraiva se tenha insurgido contra “...um restauro que desnecessariamente desfigurou muito o semblante da mulher que inspirou a obra lírica do maior vulto literário do Renascimento em Portugal” (SARAIVA, 2007, p. 90).  Recordo ainda que a feitura desta obra tem sido geralmente atribuída ao século XVII (cf. nota X, supra).

 

[xxii] Cf. SARAIVA, 2007, p. 89.

 

[xxiii] Designadamente, a real expressão do “costume” invocado ou a putativa extinção da Misericórdia de Algodres.

 

[xxiv] Não tem aqui cabimento a análise da tese relativa à bandeira da Misericórdia de Linhares (na qual a suposta ofertante estaria representada como rainha).  Os interessados poderão ver uma reprodução da cópia dessa bandeira (a bandeira original foi retirada de uso e está guardada) no livro de Leonel Abrantes, Linhares – antiga e nobre vila da Beira – museu de arte da Serra da Estrela, 2a. ed., Viseu, 1998, p. 29.

 

[xxv] Cf. MARQUES, 1938, p. 294.

 

[xxvi] J. H. Saraiva relata assim o sucedido (SARAIVA, 2007, pp. 89-90):

 

“Fotografei o retábulo e chamei a atenção das autoridades locais e de toda a gente que me acompanhava para o imenso valor histórico daquelas velhas tábuas.  Insisti em que não tardariam a aparecer por ali pessoas a quererem vê-lo, oferecendo dinheiro ou dando qualquer outra justificação.  E voltei depressa para Lisboa para contar ao secretário de Estado da Cultura, dr. David Mourão-Ferreira, a descoberta que acabava de fazer.  Pedi a urgente intervenção do Governo para salvar da ruína o retábulo.  E o meu pedido foi prontamente atendido: passados poucos dias, uma equipa do Instituto José de Figueiredo, anexo ao Museu Nacional de Arte Antiga, foi a Algodres e quis trazer o quadro para Lisboa para o indispensável restauro.

 

As pessoas que tinham ouvido as minhas recomendações julgaram, porém, que eram ladrões quanto aos quais eu as prevenira, tocaram a rebate, impediram a saída do retábulo e mostraram-se indignados e ameaçadores contra os funcionários do Instituto, que tiveram de retirar rapidamente.  O dr. David Mourão-Ferreira telefonou-me a contar o sucedido, e a pedir-me que voltasse a Algodres para esclarecer a situação e explicar que o objectivo do Governo era salvar uma obra-de-arte.  A equipa voltou lá, o quadro esteve muitos anos nas oficinas, mas está hoje de novo em Algodres após um restauro que desnecessariamente desfigurou muito o semblante da mulher que inspirou a obra lírica do maior vulto literário do Renascimento em Portugal.”.

 

[xxvii] Transmitida por ofício do IPCR com a ref. ST-73, datado de 2002-04-18. Atento o interesse histórico de que se reveste a informação disponibilizada, vou remeter cópia desse ofício ao CIHAFA para, se assim for entendido, ali ficar arquivada. 

 

[xxviii] As fotos que ilustram esta entrada foram tiradas em Dezembro de 2005.

 


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publicado por algodrense às 00:00
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2 comentários:
De amlia pais a 19 de Agosto de 2007 às 19:53
Não há qualquer fundamento sério para a tese do Dr.Saraiva.Se tivesse chamado ao seu livro Vida ignorada de Camões - 'romance histórico'teria acertado...Mas como se diz no comentário precedente, se tal contribuiu para o restauro do quadro, então magnífica aldrabice desse bom contador de histórias e não historiador-:)


De al cardoso a 6 de Agosto de 2007 às 08:57
Embora eu considere e muito o Dr. Saraiva, creio que muito mais que historiador, ele e um belissimo contador de historias. No entanto foi devido a historia que embora nao tenha muito verdade, originou a recuperacao do "triptico da Mesericordia". Por isso os meus parabens pela ajudinha!


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