História e Património das "Terras de Algodres"
(concelho de Fornos de Algodres)
ed. Nuno Soares
Contacto: algodrense(at)sapo.pt
Segunda-feira, 18 de Junho de 2007
Acerca da origem da localidade de Matança - II

 

 

(colaboração de João Rocha Nunes)

 

 

No que se refere à presença romana na Matança, João de Almeida sugere que a localidade seria um oppidum para “não só servir de base de ocupação e centro administrativo de valor, mas também guardar a estrada militar que servia de transversal entre as da Guarda a Linhares, Conímbriga e a da Guarda a Aguiar da Beira e Lamego...”[i]. Esta tese foi burilada tendo em conta a existência das pontes – cujos alicerces foram por este autor considerados romanos, bem como pelos vestígios de lajes de pedra na via de acesso a uma das pontes. Ora, não é possível considerar as pontes/lajes como romanas, porque até à data não foi apresentado qualquer documento que permita considerar que estes vestígios pertencem à época em questão, já que em períodos muito posteriores a edificação deste tipo de estruturas foi em tudo semelhante às formas constructivas usadas no período romano. Contudo, é possível que a importância da localidade decorresse da sua relevância militar, mormente no controlo de um determinado território do interior da Lusitânia. Com efeito, um espaço situado num dos extremos da provoação tem a designação de Castelo (figura I). Este mesmo local não possui no presente vestígios de quaisquer fortificações. Todavia, um dos blocos de pedra inserido nos alicerces de uma habitação deste mesmo local (figura II) é possivel verificar que o mesmo aparenta ter aparelho romano. Este documento material e a toponímia  - Castelo -   permitem considerar a Matança como uma localidade que teria alguma relevância  militar na Época Romana. Embora não haja uma prova cabal, como já referido, de que as pontes datem efectivamente da Época Romana, é possível que a importância da Matança, tal como João de Almeida sugeriu[ii], tivesse a ver com o controlo militar de uma das estradas secundárias do interior peninsular. Seguramente que esta atalaia – não tendo dimensões significativas, uma vez que os vestígios da estrutura não são actualmente visíveis, até porque o espaço foi objecto de um novo arranjo em épocas posteriores -  terá servido no decurso dos séculos para a protecção dos habitantes da localidade deixando mais tarde, provavelmente no período da Baixa Idade Média, de ter qualquer utilidade na defesa da povoação/território.

 

 

   

 

 Figura I

 

Castelo – Matança

 

 

 

Castelo-Matanca-I.jpg

 

  

 

 

 

 

Figura II

 

Castelo – Matança 

 

 

 

  

 

Castelo-Matanca-II.jpg

 

  

 

João Rocha Nunes 

 

 

 


Notas:

 

 

 

[i] João de Almeida, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Ed. do autor, 1945, vol. I, p.240. 

 

[ii] Idem, p. 240.

 


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publicado por algodrense às 21:10
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1 comentário:
De al cardoso a 23 de Junho de 2007 às 19:00
Essa pedra e de facto muito antiga e ve-se bem que nao e original dessa construcao. A ver se consigo encontrar essas coisas, brevemente na minha visita. Bem haja pela divulgacao. um abraco amigo ao escritor e ao editor.


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