História e Património das "Terras de Algodres"
(concelho de Fornos de Algodres)
ed. Nuno Soares
Contacto: algodrense(at)sapo.pt
Quarta-feira, 29 de Novembro de 2006
ALGODRES "na história e arqueologia"

Algodres-RDta-Jul2000.JPG

 

(Algodres -  Rua Direita  -  Julho de 2000)

 

  

 

(colaboração de Albino Cardoso)

 

 É sabido que, em muitas ocasiões, a "arqueologia" vem desmentir e outras vezes confirmar, a história escrita em documentos e até em antigas lendas e tradições. Pelo que é do mais elementar bom senso, que tenhamos sempre a mente aberta a novos factos, para que uma possa complementar a outra, como as pedras de um quebra-cabeças.

 

 Vem isto em referência às obras de requalificação, que decorrem no centro histórico e medieval da antiga "vila" de Algodres.

 

Nessas obras, que se iniciaram há já bastante tempo e que, entretanto, estiveram paradas, durante alguns anos, por falta de verbas e ou até de vontades, foi descoberta uma necrópole bastante extensa que, iniciando-se junto à igreja matriz de Santa Maria, se prolongava pelas várias ruas,  havendo até algumas sepulturas debaixo das actuais casas existentes.

 

 Embora, tanto quanto sei, ainda se não possa fazer uma afirmação cem por cento certa, os estudos iniciais dão-nos uma datação que, terminando no século XVIII, vai recuar aos tempos da dominação romana, pelo menos.

 

É certo que já o monsenhor Pinheiro Marques nos informava no "Terras de Algodres" (monografia concelhia publicada em 1938) da existência de sepulturas ao redor da igreja, hábito comum e tradicional cristão, até ao decreto da obrigação da existência de cemitérios (meados do século XIX).

 

Mas o que não era sabido era que os enterramentos se prolongavam por uma área tão grande e, muito menos, por debaixo de actuais construções.

 

 Portanto este facto vem de certa forma comprovar o que há muito se suspeitava e, até era sugerido por alguns autores: que Algodres, se não tem fundação mais antiga, é, pelo menos, do tempo dos romanos.

 

Mas vem também dar algum fundamento a uma lenda ou história de que esta vila teve foral por D. Sancho I e foi repovoada por essa altura (não se conhece o paradeiro desse foral, se é que existiu).

 

 É sabido que Algodres já existia no tempo do foral de Linhares, por D. Afonso Henriques, em 1169, pois este concelho delimitava com aquele pelo Rio Mondego. Também se sabe, pelas inquirições de 1258 de D. Afonso III, que Algodres teve carta de foral passada por "Donnus S. Menendi" (senhor medieval) pois o inquiridor viu essa mesma carta.

 

 Ora se esta necrópole vai ate à época romana e se encontra em parte debaixo de onde presentemente existem habitações, só nos vem provar que, em alguma altura da história, esta povoação, que data pelo menos do tempo dos romanos,  terá continuado no tempo dos "germanicos", que um tal rico homem ("D. Soeiro Mendes") lhe concedeu foral, que existia em 1169 em tempo do nosso primeiro rei, terá sido destruída e desabitada (nalguma incursão muçulmana) e poderá  muito bem ter sido reconstruída e reabitada por cima de sepulturas de gente que foi estranha aos povoadores no tempo de D. Sancho I. Pois duvido que se eles soubessem que aí estavam enterradas pessoas, construíssem as suas casas sobre essas sepulturas.

 

 É com um interesse acrescido que espero seja possível fazer em breve as datações dos restos mortais dessas sepulturas, principalmente aquelas debaixo das referidas habitações

 

 Albino Cardoso

 

2006-11-28

 


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publicado por algodrense às 21:45
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5 comentários:
De Neoarqueo a 21 de Dezembro de 2006 às 09:10
Feliz Natal


De a. cardoso a 13 de Dezembro de 2006 às 09:06
Devia ter escrito: http://dalgodres.blogspot.com


De a. cardoso a 13 de Dezembro de 2006 às 09:04
Caro Nuno:

Venho informa-lo que decidi dar outra cor e outro titulo ao "judeus" agora e: d'ALGODRES; http:dalgodres.blogspot.com

Queira fazer a correccao do link, que pelo antigo nao ira la.

Um abraco.
albino


De a. cardoso a 30 de Novembro de 2006 às 05:17
Caro Nuno: Bem haja pela tao rapida publicacao.
Pois ca ficamos a espera de novidades e tambem pela conclusao das obras.
Faco tambem sinceros votos, que as obras publicas sejam complementadas pelo resto dos cidadaos, a exemplo de algumas ja feitas.
Um abraco de amizade.


De Nuno Soares a 29 de Novembro de 2006 às 21:51
Caro Albino:
Muito obrigado por mais esta colaboração.
Este blog continua a solicitar e a agradecer a colaboração de todos os que se interessam pela história e pelo património cultural das “Terras de Algodres”.
Pela m/ parte e até prova em contrário, penso que a teoria da repovoação de Algodres, em tempos de D. Sancho I, não passa de uma especulação (lançada, ao que julgo saber, por Pinho Leal), que não se baseia em nenhuma fonte conhecida. Como referiu, hoje temos provas arqueológicas e documentais de que a povoação já existia na época romana, na alta idade média e no tempo de D. Afonso Henriques. Na sua época, a referência mais antiga que Pinho Leal conhecia era retirada das crónicas que referem a participação de homens de Algodres numa batalha contra invasores leoneses, no tempo de D. Sancho I, o "Povoador" e, talvez por isso, especulou que a povoação teria sido repovoada por esse Rei. Julgo que o foral de D. Soeiro Mendes (provavelmente do tempo do Conde D. Henrique ou de D. Afonso Henriques) veio formalizar um povoamento já existente, em que Algodres e a sua paróquia já constituiam o pólo central do concelho e, segundo alguns, de uma "terra" que abrangeria vários concelhos limítrofes.
As problemáticas relativas às relações das sepulturas encontradas em Algodres com construções anteriores e posteriores às mesmas (há sepulturas que “cortam” vestígios de construções pretéritas e outras que são sobrepostas por construções posteriores), ainda carecem, a meu ver, de bastantes esclarecimentos (e, no possível, de datações) para que se possam retirar conclusões com alguma segurança. Para já, tanto quanto sei, não é possível concluir pela existência de indícios de repovoamento que remontem ao reinado de D. Sancho I.
Veremos que outros resultados e, eventualmente, datações, nos trarão as escavações em curso. Pelo pouco que pude observar, creio que haverá novidades de grande interesse.
Um grande abraço,


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