História e Património das "Terras de Algodres"
(concelho de Fornos de Algodres)
ed. Nuno Soares
Contacto: algodrense(at)sapo.pt
Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2005
Vias romanas II

    

 

(colaboração de Albino Cardoso)

 

 Continuando a focar as evidências de vias romanas no concelho de Fornos de Algodres, vou-me hoje referir à ponte de entrada da Matança, sobre a ribeira das Forcadas. Já na entrada anterior me referi à via Viseu - Trancoso, que entrava na Matança pela ponte de dois arcos sobre o rio Carapito. Ora se esta via em direcção ás Forcadas era na direcção Este - Oeste, para onde seguiria a estrada que junto à igreja atravessava a referida ponte de um arco, em direcção Norte -Sul?

 

 Sempre tenho lido ou ouvido que em Infias se cruzavam ou bifurcavam duas estradas romanas, no entanto, em trabalhos melhor documentados, só há referência à estrada que de Viseu se dirigia a Celorico, por Infias e Fornos.   Embora sem certezas absolutas, creio que a referida ponte servia uma estrada secundária, que passando por Furtado (onde existe uma ara romana) e Rancozinho, provavelmente "villae" romanas, se dirigia a Infias.

 

 É de supor, também, a existência de uma outra que ligaria Algodres (onde recentemente foram encontradas moedas e outros vestígios romanos) a Celorico por "Cortiçolo" (Cortiçô de Algodres), "Vila em terra cham" (Vila Chã de Algodres) e "Muxigoata" (Muxagata de Algodres), "vllae agricolas".  Esta ligaria à anterior provavelmente no Rancozinho, ou de aí viria a Algodres, de onde seguiria a Infias.

 

 Estudando a toponímia tem-se chegado à conclusão que o topónimo "Forcadas" derivará de um entroncamento, ou "forca viária". Sendo assim e para cobrir todas as conhecidas evidências romanas no nosso município, faltaria uma via a ligar a Queiriz, onde foram encontradas lápides e aras romanas, havendo ainda hoje restos de calçadas e uma construção identificada por: "Castelo" que se supõe ser uma estrutura defensiva datando da romanização.

 

 Essa via secundária sairia da já referida via Viseu - Trancoso e "forcaria" nas Forcadas em direcção a Maceira e Queiriz, entroncando na via Braga  - Egitânia - Mérida, já no território do actual concelho de Trancoso.

 

 Haveria provavelmente alguns outros caminhos a ligar as várias "villae" dos quais há ainda alguns vestígios, mas os referidos deveriam ter sido os principais, nas mais tarde chamadas: "Terras de Algodres".

 

Albino Cardoso

 

2005-12-05

 



publicado por algodrense às 01:16
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5 comentários:
De a. cardoso a 15 de Dezembro de 2005 às 05:35
Caros Rocha Nunes e Nuno Soares:
Bem hajam pelas informacoes. Caro Joao, ja o amigo Nuno lhe fez o convite eu quero reitera-lo, vejo que o amigo tem muitas informacoes de utilidade para este blog, veja se arranja um tempinho e manda alguma colaboracao, estou convicto que seria de muita utilidade para todos.
Um abraco beirao.


De Nuno Soares a 14 de Dezembro de 2005 às 23:09
Há cerca de 15 anos, também fiz uma demorada prospecção no monte dos Matos, na Matança, à procura das ruínas referidas por Leite de Vasconcelos. Não obtive qualquer resultado, sendo certo que, a julgar pela descrição, deveriam existir vestígios reconhecíveis no terreno. Confesso que fiquei na dúvida se Leite de Vasconcelos teria cometido um lapso na indicação da localização do sítio que visitou. Pode ser que actualmente os vestígios estejam ocultos e ainda venham a ser identificados. Mas, não obstante a precisão das indicações dadas pelo experiente arqueólogo, não poderá ter havido confusão com outro sítio (por ex. S. Pedro de Matos, no concelho vizinho)?


De Joo Rocha Nunes a 14 de Dezembro de 2005 às 18:28
Caro Albino Cardoso
As estruturas referidas por Leite de Vasconcelos no monte dos Matos ainda permanecem por identificar. Já percorri o referido monte por diversas vezes sem achar qualquer cintura amuralhada. O lugar de Castelo situa-se na localidade de Matança num local próximo da escola primária. È certo que neste sítio existiu uma estrutura defensiva que a toponímia registou e se cristalizou no decurso dos séculos e que remonta à época romana ou mesmo a uma época anterior. Contudo, na actualidade, não se encontram vestígios de qualquer estrutura defensiva neste local, provavelmente por este mesmo espaço ter sido habitado em épocas mais recentes, tendo os blocos de pedra do referido castelo sido utilizados nas respectivas edificações (como prova um dos blocos de pedra de aparelho romano na parede de uma das casas). No que se refere ao sítio designado de Fiéis de Deus, este localiza-se junto à chamada “Laje da Forca” - onde se encontram sulcos rasgados na pedra que serviam de suporte a esta estrutura . Neste local (Fiéis de Deus) não existem, aparentemente, quaisquer vestígios materiais. De notar, que esta designação – Fiéis de Deus – tem a ver com o local de enterramento dos indivíduos condenados à pena capital na época medieval. Estes eram, assim, sepultados nos sítios contíguos ao local de aplicação das penas e fora dos espaços sagrados. Tanto a laje da Forca com o local designado de Fiéis de Deus, na Matança, encontram-se situados num espaço relativamente próximo de um café na saída para a Matela. Um abraço


De a. cardoso a 13 de Dezembro de 2005 às 05:34
Caro Rocha Nunes:
Bem haja por comentar esta entrada, pelo que vejo o meu amigo e mais entendido nesta materia que eu, estas minhas entradas sao muito mais comentarios do que afirmacoes cem por cento certas, baseio-me em trabalhos publicados por autores de certa forma bem documentados e na minha observacao local.
Como sabera nao foi invencao minha a via que ligaria Viseu a Trancoso, com passagem pela Matanca, embora de acordo com o meu amigo sem a existencia de um marco miliario nao se pode afiancar essa existencia, pois esperemos que ele apareca.
Ja agora e por o meu amigo creio tem muito mais conhecimento local, poderia informar-me a localizacao goegrafica das ruinas do monte dos Matos e do lugar do Castelo, e ja agora tem conhecimento de umas ruinas dos Fieis de Deus na Matanca?
Desde ja o meu bem haja.
Um abraco beirao. a. cardoso.


De Joo Rocha Nunes a 11 de Dezembro de 2005 às 23:27
Caro Albino Cardoso
As pontes não justificam per si a existência de vias romanas na Matança. Como já referi, num comentário a um outro texto seu, não há sinais de aparelho romano na sua estrutura. Nem mesmo o tapete lajeado na via de acesso à ponte, que se encontra na margem sul do rio Carapito, é passível de datação romana uma vez que este tipo cobertura - lajes de pedra nas vias de comunicação - foi sendo utilizado na época medieval e moderna. Penso, inclusive, que só quando Pinheiro Marques sinaliza as pontes como sendo romanas - opinião partilhada por outros autores, em particular por João de Almeida na obra "Roteiros Militares Portugueses" - por paralelismo se identificou uma das vias de acesso como pertencendo à mesma época. Mais recentemente Jorge de Alarcão na obra "Portugal Romano" não refere a existência de qualquer via nesta localidade. Não obstante, há sinais claros da presença romana na Matança. Leite de Vasconcelos, na sua obra "De terra em terra", faz referência a fragmentos de tegulae/ imbrices, um denário de Augusto e a uma inscrição funerária encontrados na localidade, bem como à existência de uma estrutura amuralhada no monte dos Matos. Na Matança, no local designado de Castelo, identifiquei um bloco de pedra com aparelho almofadado numa parede de uma habitação. Há, assim, provas efectivas da época romana nesta freguesia. Sou todavia da opinião, sem outras provas como por exemplo a eventual descoberta de um marco miliário, que podemos estar na presença de um castro romanizado, o que por si só não é suficiente para provar a existência de vias romanas na Matança.
Com os melhores cumprimentos


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