História e Património das "Terras de Algodres"
(concelho de Fornos de Algodres)
ed. Nuno Soares
Contacto: algodrense(at)sapo.pt
Segunda-feira, 7 de Novembro de 2005
5000 ANOS DE PATRIMÓNIO E HISTÓRIA

Anta-Matanca2.JPG

 

Anta das Corgas   -   Matança.

 

 

 

(colaboração de Albino Cardoso)

 

 

 

    Para se conhecer a evolução humana no município de Fornos de Algodres, de há cerca de cinco mil anos para cá, não é preciso andar muitos quilómetros. Basta percorrer o território do que foi a antiga "terra da Matancia"; concelho medieval com foral dado por D. Afonso III em 1358, mais tarde confirmado por um outro em tempo do rei D. Manuel I, e que hoje é uma freguesia do concelho de Fornos desde 1836.

 

 

 

    Ainda antes de se chegar à antiga vila e seguindo por um ramal, identificado e pavimentado, podemos admirar a imponente e antiquíssima Anta das Corgas, escavada e documentada desde o Neolítico e com utilizações no Calcolítico.

 

 

 

   Já à entrada da Matança e antes de passarmos a ponte romana de um arco, temos ao lado direito a antiga Igreja românica de Santa Maria Madalena, com portal de arco pleno e campanário de três ventanas.

 

 

 

    No centro da povoação e rumando para as Forcadas passamos pela praça onde outrora estava a casa da Câmara e onde ainda podemos admirar o alto e original pelourinho do século XVI.

 

 

 

    Nas Forcadas, aldeia de casas graníticas, podemos observar nalgumas os sinais da presença judaica, com símbolos de cristãos novos e, relativamente perto, interrogarmo-nos na vasta necrópole acerca das sepulturas escavadas na rocha.

 

 

 

    Voltando à Matança e seguindo em direcção a Matela, passamos junto à antiga fonte e chafariz de cristalina água, antes de observarmos os restos da antiga estrada romana e a bela ponte de dois arcos, depois da qual se encontra a singela mas antiga capela da Senhora dos Milagres.

 

 

 

    Saiamos agora da aldeia que já foi vila e pela estrada que nos levará à Fonte Fria, paremos na frescura dos pinheiros e prestemos atenção à bela capela barroca de São Miguel, com magnífico frontão com volutas.

 

 

 

    Já bem perto daquela pequena aldeia, dá-nos as boas vindas, com os braços abertos, um antigo cruzeiro, no recinto da Santa Eufémia.

 

 

 

    Ao fundo, a capela românica, com o seu portal ogival e a cachorrada da capela mor, que segundo uma lenda tentaram construir no cume do monte Milho.

 

 

 

    E por falar em lendas, porque não visitar também o Penedo Furado e recordar a sua lenda e tradição.

 

 

 

    Na freguesia da Matança, para além do mencionado, podemos comprar o belíssimo queijo "Serra da Estrela" e admirar a confecção artesanal de cestos e "canastros" e outros objectos em verga, que serão provavelmente vestígios hebraicos.

 

 

 

    Espero ter feito um resumo detalhado, mas simples, das marcas que a história deixou nestas terras e com isto talvez despertar a curiosidade de possíveis visitantes.  Assim o nosso município saiba promover mais eventos para a sua divulgação, trazendo com eles investidores e visitantes.

 

 

 

     Faço votos de que a nova auto-estrada que irá servir o nosso concelho, sirva muito mais para trazer-lhe desenvolvimento e visitantes, do que para que os naturais de terras com tanta história e património, rumem definitivamente para outras paragens.

 

 

 

al. cardoso

 

2005-11-05 

 


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publicado por algodrense às 13:58
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3 comentários:
De a. cardoso a 5 de Dezembro de 2005 às 08:56
Caro Rocha Nunes:
Bem haja pelo seu comentario embora bastante bem sustentado, creio que enferma um pouco no que respeita aos judeus ou "cristaos novos" concordo plenamente em que nao havia nenhuma norma por parte da religiao catolica quanto a colocacao de simbolos cristaos nas casas destes, pois se assim fosse, teriamos muitissimo mais casas com esses simbolos, O que eu creio e nao sou o unico, e que devido a perseguicao gerada pela "santa inquisicao" todas as maneiras eram boas para iludir o inquisidor ou os "bufos da altura" e a colocacao de simbolos cristaos nas casas seria um deles.
Quanto as pontes da Matanca pode o meu amigo ter razao, estas provavelmente seram uma reconstrucao medieval de outras que seriam romanas, nao se esqueca que junto a ponte sobre o rio Carapito ainda hoje existem restos de calcada romana.
No que respeita a igreja de S. Maria Madalena embora a fachada seja uma reconstrucao mais recente nao ha duvidas de que data da alta idade media, ja aparece taxada para a guerra com ou mouros em tempo do rei D. Dinis, era portanto anterior pelo que sera de fundacao romanica.
Uma saudacao beira.


De Nuno Soares a 2 de Dezembro de 2005 às 16:59
Caro Dr. João Rocha Nunes,
Seja bem-vindo a este forum de debate sobre as Terras de Algodres. Faço votos de que possamos contar com os seus comentários e – se assim o entender – futuras colaborações.
Concordo genericamente com o que afirmou. No tocante aos símbolos religiosos, se é certo que, em muitos casos, os lares de cristãos-novos exteriorizavam símbolos religiosos cristãos (o caso da antiga judiaria de Trancoso é, entre outros, bastante elucidativo a este respeito), não é menos verdade que, a partir da contra-reforma, certos símbolos, como o IHS, tiveram utilização genérica em edifícios religiosos e particulares, neste caso sem associação necessária a cristãos-novos.
Nos meus passeios pela Beira, tenho constatado até, com alguma frequência, a gravação do IHS (ou variantes) em construções que parecem ser – e sempre ter sido – estábulos de recolha de gado, quiçá com intuitos de invocar a protecção divina sobre as reses... Talvez seja essa também a razão para a colocação da pedra com uma cruz gravada na “...torsa de uma porta de loja das Casas Grandes”, a que alude Mons. Pinheiro Marques (MARQUES, 1938, p. 27).
Logo que possa, colocarei no blog uma foto de uma gravação do IHS numa casa em Algodres. Na mesma aldeia, existe ainda uma outra gravação similar, mas hoje de discutível leitura, dada a erosão do suporte.
Com os m/ melhores cumprimentos,


De Joo Rocha Nunes a 29 de Novembro de 2005 às 23:24
Caro Albino Cardoso
Gostaria, antes de mais, de o cumprimentar pelas investigações que tem feito sobre a região de algodres. Pertima-me, contudo, discordar da associaçao que faz entre determinados símbolos religiosos (cruzes, IHS,etc.) e lares judaicos. Não há nada que prove que estes símbolos eram excusivamente utilizados pelas comunidades de cristãos-novos por variadas razões. Em primeiro lugar, porque a Igreja nunca decretou a obrigariedade dos cristãos novos usarem estes símbolos na época moderna (se consultar os decretos tridentinos ou as constituiçoes sinodais do bispado de viseu não encontra qualquer referência a esta matéria). Em segundo, porque os referidos símbolos fazem parte da religiosidade post-tridentina e nesse sentido são apanágio dos vários estratos da população, quer fosse ou não descendente da comunidade judaica.Com isto não estou a dizer que não tenha havido uma existência judaica nestas terras. Antes pelo contrário, a sua presença encontra-se documentada. Na Torre do Tombo, nos arquivos da inquisição, estão processos de índividuos desta região acusados de práticas judaicas. Por último, permita-me dizer duas palavaras acerca da Igreja e das pontes de Matança. A igreja, embora sendo de raíz românica, como provam as siglas de algumas pedras,foi reedificada no seculo XIX - o arco de volta perfeita foi utilizado em diversas épocas e não apenas na Idade Média; as memória paroquial do século XVIII da Matança refere a existência de estruturas no seu interior, designadamente a capela da Senhora da Graça, que não chegaram até nós o que prova que existiu um profunda remodelação do templo no período subsequente, provavelmente em virtude do aumento demográfico que aconteceu no período oitocentista. Já no que se refere às pontes, estas não são efectivamente romanas - tratam-se ao invés de pontes medievais, pois o aparelho não é almofadado e não tem qualquer marca de forfex.

Com os melhores cumprimentos

João Rocha Nunes


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