História e Património das "Terras de Algodres"
(concelho de Fornos de Algodres)
ed. Nuno Soares
Contacto: algodrense(at)sapo.pt
Segunda-feira, 4 de Julho de 2005
Os Cáceres, Senhores de Algodres.

 

 

colaboração de  Albino Cardoso

 

 

     Embora por vezes ignorado, certo é que muito antes de os Noronhas, condes de Linhares da Beira, terem sido senhores de Algodres, desde fins do séc. XVI, já o tinham sido os Cáceres, pelo menos desde fins do séc. XIV, estes originários do antiquíssimo solar desta família na freguesia do Casal Vasco, termo daquele antigo concelho.

 

 

 

     O primeiro Senhor documentado foi: Álvaro Mendes de Cáceres (NFP, vol.III, pag.168), tendo o senhorio continuado na mesma família pelo menos mais duas gerações. Esta família, com origens em Castela (ou Vascongadas), tem comprovado o seu ramo português desde o princípio do séc. XIV quando Gonzalo de Cáceres fundou o solar da sua família no "casal do vasco", foi o bisavô do referido Álvaro que, para alem de Algodres, foi também Senhor de Meadas e de Pena Verde.

 

 

 

    Embora sem certezas absolutas, creio que estes Cáceres estão na origem do Casal Vasco (no entanto o mais provável será que tenham edificado o casal nas ruínas de uma villa agrícola romana, que se encontraria em ruínas desde o tempo dos mouros; em documentos do séc. XIV chamava-se este lugar Casal Vasio).  Embora se diga que são originários de Castela, eu suponho que o seriam das Vascongadas hoje País Basco: já o Monsenhor Pinheiro Marques no seu livro "Terras de Algodres" afirmava que a aldeia teria tido origem num casal que teria sido propriedade de um Vasco e daí o nome terá evoluído de casal do Vasco, para Casal Vasco. Ora como não encontrei nesta família nenhum Vasco de nome e como não há nenhuma evidência de nenhuma outra família senhorial aí ter vivido, a explicação que eu encontro é que sim, a fundação deste casal foi por um vasco, não de nome, mas sim de origem: vasco ou basco das Vascongadas.

 

 

 

     O ramo varonil desta família terá terminado em meados do séc. XVI (essa segundo eu a razão do senhorio ter passado para os Noronhas), pois o ultimo documentado foi Simão Cardoso de Cáceres, em 1520 (Genea ...). Entretanto D. Afonso V já tinha mandado passar carta de brasão de armas de mercê nova em 1459 a Álvaro Gonçalves de Cáceres que era cronista - mor do reino ( DFP, Luís de Lancastre e Távora, Quetzal editores, 2ª. edição, Lisboa).

 

 

 

     Quando o morgadio desta familia se extinguiu, o património dela foi incorporado no da Casa da Ínsua (Penalva do Castelo) que se tornou proprietária de todos os seus bens, passando a partir de então a usar também o nome de Cáceres que pela sua antiguidade era um dos mais importantes do reino e bem assim tomou posse do solar do Casal Vasco, tendo-lhe então adicionado o brasão daquela casa. Este solar encontra-se hoje bastante arruinado e a pedir urgentemente obras (por que não transformá-lo em turismo de habitação?).  Seria de grande interesse, pois creio que deverá ser o único no nosso município em que está comprovada a origem de uma família portuguesa.

 

 

 

Além do solar existe a capela de Nª. Sª. da Encarnação, onde foi instituído o morgadio dos Cáceres e que, felizmente, a Casa da Ínsua cedeu ao município de Fornos de Algodres e hoje se encontra restaurada e conservada. É uma bela capela medieval com ameias e que muitos "Algodrenses" desconhecem.

 

   

 

Al Cardoso

 

 

NFP =  Nobiliário das Famílias Portuguesas

 

DFP =  Dicionário das Famílias Portuguesas

 

Genea =  Portal de Genealogia.

 



publicado por algodrense às 06:45
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4 comentários:
De a cardoso a 5 de Julho de 2005 às 14:24
Nao estou cem por cento certo mas creio que quando D. Fernando concedeu o senhorio a sua filha D. Isabel nao estava incluido Algodres mas somente Fornos, o que faria senco pois o senhorio de Algodres ja o tinha concedido aos Caceres, isto e talvez expeculacao mas com a entrada de D. Joao de Castela na guerra com o nosso Mestre de Avis, o mais provavel e que o marido de D. Isabel Conde de Noronha estivesse ao lado do rei Castelhano e por isso o nosso rei D. Joao I, lhes tivesse sido tirado o senhorio e concedido aos Abreus em principios do sec. xv, neste caso so me refiro a Fornos.


De Nuno Soares a 5 de Julho de 2005 às 11:27
As doações dos direitos reais sobre Algodres, entre os sécs. XIV e XVI, parecem ter sido múltiplas e não estão convenientemente esclarecidas.
Recordo-me (não tenho o livro à mão neste momento...) que em MOREIRA, 1980 se afirma, salvo erro com base num doc. da chancelaria de D. Fernando I, que aquele rei doou à sua filha D. Isabel: Viseu, Celorico, Linhares e ... Algodres, embora também se refira que há quem defenda que D. Isabel não chegou a entrar na posse e a exercer tal senhorio. Importa também investigar se Algodres terá integrado o Senhorio da Beira, do Infante D. Henrique, à semelhança das vilas vizinhas (MOREIRA, 1980) e em que circunstâncias a Igreja de Algodres passou para a comenda da Ordem de Cristo...
Estas matérias, tanto quanto sei, têm sido até hoje ignoradas nas monografias e outros estudos locais sobre Algodres, a começar pela doação aos Cáceres referida no texto do Albino. Com os dados de que disponho presentemente, também não consigo avançar muito mais. Creio que só a análise directa da documentação coeva e ainda existente, poderá ajudar a esclarecer o âmbito (coincidente ou não) destas doações e a respectiva sucessão temporal.
Em todo o caso, parece evidente que, pelo menos a partir dos finais do séc. XIV, foram outorgados com alguma frequência a terceiros os (ou alguns dos) direitos da coroa sobre Algodres (e concelhos vizinhos).


De a. cardoso a 5 de Julho de 2005 às 06:52
No sec.xiv existiram dois Alvaros Mendes de Caceres; o primeiro foi o senhor de Salzedas e aquele a quem D. Fernando concedeu todas aquelas merces, por sua vez teve um filho que lhe seguiu no morgadio e foi: Luis Caceres e Mendonca,dele foi filho o outro Alvaro Mendes de Caceres; portanto neto do primeiro e este sim ja aparece como senhor de Algodres, Meadas e Penaverde. Deste foi filho Luis Mendes de Caceres que continuou com o senhorio e aparece documentado em 1400 (NFP v.III pg.168 e NFP v.IV pg.11). O seu filho com o mesmo nome aparece documentado em 1430 (NFP v.III pg.168) foi tambem senhor das mesmas localidades e creio que com a sua morte se tera terminado o senhorio nesta familia.
Quanto a Fornos creio que ai deve haver algum equivoco pois o rei D. Fernando concedeu o senhorio de Viseu, Fornos e Linhares em 1373 a sua filha D. Isabel de Portugal casada com D. Afonso conde de Gijon e Noronha, (ascendentes dos condes de Linhares) senhorio que mais tarde lhe tera sido tirado, creio que devido a guerra da independencia depois da morte de D. Fernando. Depois destes ja em 1420 era senhor de Fornos: Pedro Lopes de Abreu Castelo Branco, tendo este senhorio continuado na mesma familia Abreu ate ao ultimo que foi Fancisco de Abreu Castelo Branco falecido em 1630.


De Nuno Soares a 4 de Julho de 2005 às 22:03
Este texto tem o inegável mérito de realçar um facto importante e que, tanto quanto sei, não tem sido referenciado pelos estudiosos da história de Algodres: a doação do julgado de Algodres aos Cáceres, em finais do séc. XIV.
Na verdade, pude entretanto verificar que também a GEPB, vol. 5, p. 341, refere que Álvaro Mendes de Cáceres veio desterrado para Portugal e “o rei D. Fernando lhe fez mercê, de juro e herdade, dos julgados de Algodres e Fornos (...) por carta de 3 de Janeiro do ano de 1372”. No mesmo local se afirma que lhe foram igualmente dados o julgado de Penaverde (por carta de 23 de Fevereiro de 1372), o castelo de Sortelha (por carta de 25 de Junho de 1374) e Sarzedas, Meadas e Póvoa (por carta de 28 de Setembro de 1377). Diz-se também que “deste fidalgo ficou descendência em Portugal, que possuiu os senhorios de Algodres e Fornos”.
Já quanto à hipótese colocada para a origem de Casal Vasco, pessoalmente custa-me a crer, desde logo, que a terra tenha sido (re)povoada apenas no séc. XIV e que só então se tenha fixado o actual topónimo. É uma questão a aprofundar, com mais vagar e mais elementos de suporte.
Mais uma vez, muito obrigado, ao Albino Cardoso, pela sua colaboração.


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